TRATA BRASIL
Várzea Grande aparece entre as cinco piores do país no Ranking do Saneamento 2026
Muvuca Popular
Várzea Grande voltou a figurar em posição de destaque negativo em um dos levantamentos mais importantes sobre infraestrutura urbana do país. De acordo com o Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, o município mato-grossense está entre os cinco piores colocados entre as 100 maiores cidades brasileiras, ao lado de Santarém (PA), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC) e Parauapebas (PA).
O dado expõe a gravidade do déficit de saneamento em uma das principais cidades de Mato Grosso e reforça um contraste cada vez mais evidente dentro do próprio estado. Enquanto Cuiabá aparece como destaque nacional em investimento per capita entre as capitais, Várzea Grande surge no grupo de pior desempenho do país, revelando um cenário de atraso estrutural em serviços básicos que impactam diretamente a saúde pública, a qualidade de vida da população e o desenvolvimento urbano.
O estudo mostra que os 20 municípios com pior desempenho no ranking investiram, em média, R$ 77,58 por habitante entre 2020 e 2024, valor muito abaixo dos R$ 225 por habitante estimados pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) como necessários para a universalização dos serviços até 2033. Também é um patamar bem inferior à média de R$ 176,17 por habitante registrada entre os 20 melhores colocados.
A distância entre os extremos do ranking ajuda a dimensionar o tamanho do problema enfrentado por cidades como Várzea Grande. Enquanto os 20 melhores municípios têm, em média, 98,08% de coleta de esgoto, os 20 piores alcançam apenas 28,06%. No tratamento de esgoto, a diferença também é expressiva: 77,97% nos melhores, contra 28,36% nos piores. Já no abastecimento de água, os 20 melhores registram atendimento médio de 99,05%, enquanto os 20 piores ficam em 83,01%.
O ranking considera três dimensões centrais: nível de atendimento, melhoria do atendimento e nível de eficiência. Na prática, isso significa que não basta apenas ampliar redes; também contam a capacidade de reduzir perdas, melhorar a operação dos sistemas e sustentar investimentos ao longo do tempo.
A presença de Várzea Grande entre os piores do país acende alerta em ano de debate eleitoral e amplia a pressão sobre gestores públicos. O saneamento, embora muitas vezes menos visível que outras obras urbanas, está ligado diretamente a indicadores de saúde, educação, produtividade e valorização imobiliária. A falta de coleta e tratamento de esgoto, além do abastecimento precário, contribui para a proliferação de doenças, piora as condições ambientais e limita o crescimento ordenado da cidade.
O estudo do Trata Brasil aponta ainda que mais da metade dos 100 maiores municípios brasileiros investe menos de R$ 100 por habitante em saneamento, valor considerado insuficiente para cumprir a meta de universalização prevista no Marco Legal do Saneamento. Esse quadro, porém, se torna ainda mais grave quando analisado sob a ótica dos municípios com pior desempenho, grupo no qual Várzea Grande está inserida.
Na outra ponta do ranking, Franca (SP) ficou em primeiro lugar, seguida por São José do Rio Preto (SP), Campinas (SP) e Santos (SP). As quatro cidades já atingiram a universalização dos serviços, o que mostra que o avanço é possível quando há planejamento, continuidade administrativa e volume adequado de investimentos.



