CUNHO ELEITORAL
Mendes classifica fim da escala 6×1 como “populista” e diz que isso “vai quebrar o país”
Da redação - Kamila Arruda / Da reportagem local - Renato Ferreira
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), fez duras críticas à proposta de flexibilização ou fim da escala 6×1 e afirmou que a medida pode trazer impactos graves à economia brasileira. Ele classificou a iniciativa como “populista” e alertou para o risco de colapso financeiro.
“Isso vai quebrar o país. Pode ficar tranquilo. E, se Deus quiser, que eu esteja errado. Eu vou rezar, orar e trabalhar para que eu esteja errado. Não é uma profecia, nem um desejo, mas é enxergar o óbvio”, declarou o gestor estadual nesta quarta-feira (18).
A fala foi dada em meio a discussões envolvendo representantes do setor produtivo, como indústria e comércio, e a bancada federal de Mato Grosso, que vêm debatendo mudanças nas regras trabalhistas, incluindo a jornada 6×1.
Mendes associou a proposta ao ambiente eleitoral, sugerindo que iniciativas desse tipo tendem a ganhar força nesse período, mesmo sem respaldo técnico. “Eu me preocupo quando eu vejo, em ano eleitoral, muitas medidas populistas sendo tomadas”, afirmou.
Para o governador, a lógica por trás da proposta contraria princípios básicos da economia e do mercado de trabalho. “Trabalhar menos não funciona”, diz governador
Ao criticar diretamente a mudança na jornada, Mendes argumentou que a proposta incentiva a redução do trabalho sem considerar os impactos na produtividade e na geração de renda. “Eu aprendi desde criança com o meu pai e com a minha mãe que, quando a gente precisa de algo mais, trabalha mais para ganhar mais. Essa proposta está propondo trabalhar menos”, disse.
Ele reforçou que, na avaliação dele, a medida não se sustenta na prática econômica. “Isso vai ter consequência, gente. Isso não funciona. Não adianta se enganar, achar que é bom”, completou.
Conta recai sobre o cidadão
O governador ainda fez um paralelo com a lógica empresarial para ilustrar o que considera um erro na proposta. “Eu também gostaria de não trabalhar nada e ganhar a mesma coisa. Eu gostaria que a minha empresa não trabalhasse nada e o cliente pagasse sem produzir nada. Nenhum cliente vai pagar por isso”, afirmou.
Por fim, Mendes alertou que decisões desse tipo acabam recaindo sobre a população. “No final, esses erros e desacertos de governos, quem paga a conta é o cidadão brasileiro”, concluiu.
A proposta de revisão da jornada de trabalho segue em debate no Congresso Nacional e tem dividido opiniões entre representantes do setor produtivo e defensores de mudanças nas regras trabalhistas.



