ASSOCIAÇÃO SOB SUSPEITA
Justiça manda auditar contas do Shopping Popular de Cuiabá após denúncias
Muvuca Popular
A Justiça de Cuiabá determinou a realização de uma auditoria contábil nas finanças da Associação dos Camelôs do Shopping Popular, após suspeitas de falhas na gestão administrativa e financeira da entidade. A decisão foi proferida pelo juiz Jamilson Haddad Campos, que também ordenou a apresentação de uma série de documentos financeiros pela associação.
A medida atende a uma ação movida pela comerciante Benedita Florência da Silva, integrante da entidade, que questiona a condução da diretoria nos últimos anos. Entre os principais pontos levantados estão possíveis falhas de planejamento financeiro, ausência de transparência na prestação de contas e decisões tomadas sem a devida participação dos associados.
De acordo com o processo, a gestão, liderada pelo ex-vereador Misael Galvão, é alvo de críticas por não ter adotado medidas preventivas, como a contratação de seguro patrimonial ou a formação de reservas financeiras. A situação teria se agravado após o incêndio que atingiu o centro comercial em 2024, quando, segundo a autora, não havia recursos disponíveis em caixa para lidar com os prejuízos.
Outro ponto questionado é a cobrança de um rateio milionário entre os associados, que, conforme a ação, teria sido imposto sem aprovação formal em assembleia e sem apresentação detalhada das contas.
Apesar de a associação alegar que as contas já foram aprovadas em reunião realizada em 2025, o magistrado entendeu que ainda há dúvidas sobre a regularidade desse processo, especialmente quanto ao acesso prévio dos membros aos documentos financeiros. Por isso, rejeitou o argumento de que o caso estaria encerrado.
Na decisão, o juiz também reconheceu o direito da autora de questionar judicialmente a gestão, destacando que a fiscalização é prerrogativa de qualquer associado diante de indícios de irregularidades.
A entidade terá 15 dias para entregar documentos como extratos bancários, balancetes mensais, registros contábeis e contratos firmados com terceiros, referentes ao período entre 2021 e 2025. Esses dados serão analisados por peritos, que irão examinar a movimentação financeira da associação, incluindo receitas e despesas, além de apurar a ausência de saldo em caixa no momento do incêndio.
A perícia também deverá avaliar a legalidade das decisões administrativas, como o rateio entre os associados e a aprovação das contas, bem como investigar possíveis desvios de finalidade ou mistura entre patrimônios.
Caso sejam confirmadas irregularidades, a Justiça não descarta a responsabilização direta dos gestores envolvidos. A análise de depoimentos e testemunhas poderá ocorrer em etapa posterior, após a conclusão do laudo técnico, que deve ser apresentado em até 30 dias.


