MT NO RANKING
Acidentes em silos de armazenagem matam mais de seis trabalhadores por mês no Brasil
Muvuca Popular
Um levantamento da Auditoria-Fiscal do Trabalho, do Ministério do Trabalho, revela que pelo menos 394 trabalhadores morreram em acidentes envolvendo silos de armazenagem no Brasil entre 2021 e 2025 — o equivalente a uma média de 1,5 morte por semana. Mato Grosso aparece no topo do ranking nacional, concentrando 16,75% dos casos, o que reforça o alerta em um dos principais estados do agronegócio.
De acordo com os dados, a principal causa das mortes é o soterramento por grãos, responsável por 39,4% dos casos, seguido por quedas, com 18,7%. Em geral, os acidentes acontecem durante atividades de limpeza ou desobstrução dentro dos silos, quando trabalhadores entram nas estruturas para liberar o fluxo do material.
O estudo também chama atenção para o fato de haver mais mortes do que acidentes registrados: foram 394 óbitos em 344 ocorrências. Isso ocorre porque, em alguns casos, outros trabalhadores tentam socorrer colegas e acabam morrendo também. Explosões, embora menos frequentes, também resultam em tragédias coletivas.
As regiões Sul e Centro-Oeste concentram 67,7% das mortes, acompanhando a distribuição dos silos no país. Mato Grosso lidera, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul. No estado mato-grossense, os acidentes estão frequentemente ligados a atividades em fazendas e agroindústrias, especialmente em operações com grãos.
Outro ponto destacado é o perfil das vítimas: a maioria é de homens entre 21 e 50 anos, muitos deles trabalhadores terceirizados ou temporários, incluindo migrantes. Há ainda indícios de subnotificação, já que nem todos os acidentes são formalmente registrados.
Especialistas apontam que mais de 90% das mortes poderiam ser evitadas com o cumprimento das normas de segurança. Entre os principais problemas estão a falta de investimento em proteção coletiva, ausência de equipes adequadas e falhas nos procedimentos em espaços confinados.
Diante do cenário, entidades e autoridades reforçam a necessidade de ampliar a fiscalização e adotar medidas mais rigorosas de prevenção, especialmente em estados como Mato Grosso, onde a atividade é intensa.
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