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JOGO SUJO E BAIXO

Mauro Carvalho detona cúpula nacional do PRD e chama justificativa de “desculpa esfarrapada”

Renato Ferreira

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A destituição da executiva estadual do PRD em Mato Grosso escalou para um confronto direto com a direção nacional. O presidente da sigla no estado, Mauro Carvalho, classificou a medida como um “jogo sujo e baixo” e acusou a cúpula partidária de agir sem respeito às lideranças locais.

“Sujo e baixo. As duas coisas ao mesmo tempo. Eu 7 horas da manhã recebi um telefonema do secretário de saúde, Gilberto Figueiredo, que iria filiar no PRD hoje, que tinha recebido uma notícia de Sinop e que lá se comentava que hoje seria destituído o PRD. Eu na mesma hora liguei para o Vasco Rezende, que é o presidente nacional do PRD”, afirmou.

Segundo ele, a justificativa apresentada pelo presidente nacional Ovasco Rezende não se sustenta. “Ele ficou meio sem saber o que falava para mim, desculpa foi que nós não tínhamos montado uma chapa para deputado federal. Ora, as filiações terminam no dia 4 de abril. Hoje é dia 30. As convenções é em julho. Nós estamos em março. Como é que você pode alegar que você não tem chapa de deputado federal, se tá aberta as filiações partidárias, se estão abertas as filiações partidárias e a convenção só acontece em julho”.

Carvalho elevou o tom ao afirmar que a alegação não passa de pretexto para intervenção. “Então isso foi uma desculpa esfarrapada que foi dada para destituir o diretório”, disparou.

A crise foi desencadeada após a executiva nacional da federação entre PRD e Solidariedade destituir os diretórios estaduais em Mato Grosso, movimento que expôs um racha interno em pleno período de articulação para as eleições de 2026.

O dirigente também criticou a postura da cúpula nacional diante da repercussão do caso. “Ele disse que não deve satisfação a eles, ou seja, a cúpula do PRD. Como que o senhor enxerga isso aí, senador? Eles realmente não devem satisfação a mim, porque ele não tem respeito e consideração, mas ele deve satisfação ao povo de Mato Grosso. Né? Porque quando nós encampamos o PRD, nós demos a alma naquilo ali”.

Em tom ainda mais duro, Carvalho questionou a legitimidade e a condução da decisão. “Isso não se faz, não é papel de gente grande, não é papel de homem o que foi feito hoje aqui no Mato Grosso”.

Apesar da intervenção, ele também colocou em dúvida a capacidade do novo grupo que assumirá o partido de montar chapas competitivas em tempo hábil. “Primeiro que eu não sei nem quem vai assumir, né? Eu não tenho a menor noção de quem vai assumir. Vamos aguardar. Agora é muito cedo para a gente falar, nós temos aí três dias para filiação, como é que se monta a chapa de estadual e de federal em apenas três dias?”.

Nos bastidores, a decisão é vista como reflexo de articulações nacionais que não dialogam com o cenário estadual, agravando a crise interna e acelerando o redesenho político em Mato Grosso às vésperas do fechamento da janela partidária.

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