A Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) abriu, nesse último domingo (29), a temporada 2026 com um concerto marcado pela diversidade de repertório e por novidades na forma de apresentação ao público. A iniciativa, que aconteceu no Teatro Universitário do Campus Cuiabá, deu início a um calendário que se estende ao longo do ano, com ações que integram formação acadêmica, produção artística e diálogo com a comunidade.
A reitora da UFMT foi representada pela pró-reitora de Assistência Estudantil, professora Liliane Capilé Charbel Novais, que destacou a relevância da Orquestra como espaço de formação e integração universitária. “A Orquestra Sinfônica da UFMT cumpre um papel estratégico na formação acadêmica e na promoção da cultura dentro da universidade. Trata-se de um espaço que articula ensino, extensão e produção artística, ao mesmo tempo em que fortalece o vínculo com a comunidade. Iniciativas como essa ampliam o acesso à cultura, contribuem para a permanência estudantil e reafirmam o compromisso da universidade pública com a sociedade.”
A pró-reitora de Cultura, Extensão e Vivência (Procev), professora Lisiane Pereira de Jesus, destacou a nova organização da Orquestra e o planejamento da temporada. “A Orquestra passa a contar com o Núcleo Sinfônico como instância responsável por sua organização e planejamento. Esse núcleo é formado por professores da Faculdade de Comunicação e Artes e por músicos da Orquestra Sinfônica da UFMT, que estruturaram a temporada 2026 e já apresentaram uma programação prévia, com diversos concertos ao longo do ano. O concerto de encerramento está previsto para o dia 10 de dezembro, em conjunto com o Coral da UFMT, como parte das comemorações de aniversário da Universidade.”
“A programação inclui parcerias com o Instituto Ciranda, com participação do maestro Murilo Alves, além de apresentações de orquestra de câmara em diferentes períodos do ano, sob regência de convidados integrantes do próprio Núcleo Sinfônico. Destaca-se também a ampla participação de estudantes da UFMT, especialmente da área de música, fortalecendo o caráter formativo das ações”, completou.
PROGRAMAÇÃO DIVERSA
Segundo Lisiane Pereira de Jesus, a programação cultural da UFMT em 2026 abrange diferentes linguagens e públicos. “Além da Orquestra, a Pró-Reitoria também contará com a programação do Coral da UFMT, que inclui o coral adulto, o coral infantojuvenil e o coral da terceira idade, ampliando o alcance das atividades musicais.”
Ela também destacou outras ações culturais previstas ao longo do ano. “Outras ações culturais também integram o calendário, como as atividades do Cineclube Coxiponés, a programação contínua do Museu de Arte e de Cultura Popular, com exposições ao longo do ano, incluindo uma recentemente inaugurada e aberta ao público com acesso gratuito. O Centro Cultural segue com a revitalização dos murais, configurando uma galeria a céu aberto, cuja inauguração completa está prevista em breve.”
“Em abril, no dia 24, será realizado o Balaio Cultural, no foyer do teatro, reunindo artistas, músicos e escritores em uma programação voltada a apresentações e lançamentos de livros, promovendo o encontro entre diferentes linguagens artísticas”, completou.
A temporada deste ano, intitulada “Mosaicos”, propõe uma organização baseada em processos formativos e colaborativos, reunindo diferentes linguagens, parcerias institucionais e experiências musicais diversas.
GESTÃO DA ORQUESTRA
O regente da Orquestra, professor Luiz Ipolito, destacou a ampliação do papel da instituição junto à comunidade. “O mais importante é que estamos trazendo um olhar em que a Orquestra se abre para a comunidade. Isso acontece não apenas por meio dos concertos, mas também pela possibilidade de participação. Hoje, é possível identificar no programa quem é da comunidade, quem é estudante e quem é servidor, o que fortalece esse caráter coletivo.”
O professor também enfatizou a importância das parcerias para expandir a atuação da Orquestra. “Dentro da universidade, de forma isolada, não é possível extrapolar os muros do campus. Por isso, buscamos trazer outras pessoas de Cuiabá e de Mato Grosso para se somar e fortalecer o trabalho. Essa construção é coletiva, pensada a várias mãos, o que contribui para consolidar um projeto mais democrático e menos centralizado.”
Segundo o regente, a programação foi pensada para alcançar diferentes públicos. “Estamos construindo não apenas concertos aos domingos, mas também apresentações ao longo da semana, ampliando o acesso e atingindo públicos diversos. Além disso, há parcerias com o terceiro setor previstas, especialmente no segundo semestre, e um diálogo próximo com o Coral da UFMT, que é um equipamento tão importante quanto a Orquestra.”
Luiz Ipolito também avaliou o papel da Orquestra no cenário cultural do estado. “Hoje, muitos equipamentos públicos na área da música ainda são limitados, e grande parte das iniciativas fica a cargo do terceiro setor ou da iniciativa privada. Nesse contexto, a Orquestra da UFMT, como equipamento público, cumpre um papel fundamental ao oferecer uma programação contínua e um trabalho estruturado, contribuindo para o fortalecimento do mercado, da formação artística e da memória cultural.”
O regente destacou ainda o impacto a longo prazo das ações desenvolvidas. “Esse trabalho contribui para inserir Mato Grosso no circuito de produção musical, fortalecendo a cena cultural do estado e projetando novos grupos e artistas. Nosso objetivo é construir uma atuação consistente, que gere resultados duradouros.”
Por fim, o professor ressaltou as possibilidades de acesso à formação musical na universidade. “Com a parceria com o Departamento de Artes, a Escola de Música oferece cursos com valores acessíveis à comunidade. A partir dessa formação, é possível seguir na graduação em música, se aperfeiçoar tecnicamente e, futuramente, integrar a Orquestra, sempre com base em critérios de desenvolvimento artístico. A ideia é ampliar as formas de participação da comunidade na universidade por meio da música.”
O concerto de abertura apresentou três obras que sintetizam a proposta da temporada: “Danzón nº 2”, de Arturo Márquez; a abertura da ópera Rosamunde, de Franz Schubert; e “Fanfare for the Common Man”, de Aaron Copland. A combinação evidenciou a diversidade estética e temporal que orienta a programação de 2026.


