CASO ESTEFANE
Suspeita tentou antecipar versão à imprensa e monitorar investigação, diz delegada
Nickolly Vilela
O comportamento de Mariane Mara da Silva após a morte de Estefane Pereira Soares, 17, ocorrida no dia 10 de março, em Cuiabá passou a ser tratado como um dos principais pontos de atenção da investigação conduzida pela Polícia Civil. Ela é esposa de Marcos Pereira Soares, um dos autores do assassinato e irmão da vítima.
Segundo a delegada Jéssica Assis, a suspeita procurou veículos de imprensa logo após o desaparecimento da adolescente para apresentar sua própria versão dos fatos, antes mesmo da conclusão das primeiras diligências.
Além disso, ela também teria ido diversas vezes à delegacia sob o argumento de buscar apoio para retirar pertences da casa onde morava com o companheiro, Marcos Pereira Soares. No entanto, conforme a investigação, o interesse seria outro.
“Ela tentava entender o que as testemunhas estavam falando, quais informações já estavam com a polícia”, afirmou a delegada.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, Mariane apresentou versões contraditórias ao longo dos depoimentos. Em alguns momentos, negava determinadas situações e, quando confrontada, mudava o relato.
“Quando ela era questionada sobre inconsistências, dizia que o que havia falado antes não era bem aquilo”, disse Jéssica.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a seletividade nas informações repassadas por ela, o que, segundo a polícia, pode indicar tentativa de direcionar o rumo das apurações.
Testemunhas também relataram que, antes mesmo de o corpo ser localizado, a suspeita já demonstrava conhecimento de detalhes sobre o crime, o que reforçou a desconfiança dos familiares e passou a ser considerado no inquérito.
Diante desses elementos, a Polícia Civil aponta que o comportamento da investigada após o crime pode ter ido além de uma reação comum, levantando suspeitas de tentativa de interferência nas investigações.
A participação direta de Mariane no assassinato ainda é apurada, e a polícia busca agora esclarecer qual foi o grau de envolvimento dela na ação criminosa.
O CASO:
Assassinato da irmã
De acordo com as informações apuradas, Estefany estava desaparecida desde 10 de março. De forma preliminar, a família relatou à polícia que Marcos foi até a casa onde ela estava morando com o companheiro a levou do local. Depois disso, ela não foi mais vista.
A mãe, ao encontrar o filho na quarta, o pressionou para saber do paradeiro da jovem. Porém, o suspeito desconversava. Ela o levou para casa e acionou outros familiares, porém, ao perceber a “armação”, fugiu para dentro de um matagal.
Família começou a buscar pela jovem na região até que, por volta das 21h30, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) confirmou que o corpo da jovem foi encontrado dentro do córrego.
Vítima estava submersa na água, apenas com as pernas para fora. Vítima apresentava ferimentos pelo corpo. Cena foi isolada para os trabalhos do Corpo de Bombeiros, DHPP e Perícia Oficial (Politec).
Em seguida, com o apoio da Polícia Militar, o suspeito foi preso já na madrugada de quinta, na região do CPA. Ele foi flagrado andando pela avenida Brasil, quando foi abordado.
Ele foi encaminhado para a DHPP, onde vai ser ouvido. A motivação do crime segue sob investigação.


