ELEIÇÕES 2026
Dilmar afirma que desmonte do PRD tem influência direta de Wellington e Janaina
Renato Ferreira
A destituição do comando do PRD em Mato Grosso foi tratada como uma manobra política articulada nos bastidores. O líder do governo na Assembleia Legislativa, Dilmar Dal’Bosco (União Brasil), afirmou que a decisão partiu de uma “canetada” influenciada por adversários diretos no cenário eleitoral. “De repente numa canetada, define lá em Brasília a pedido de outros partidos para destituir o PRD. A pedido do Wellington Fagundes, todo mundo sabe, e da Janaina Riva, que foram pedir o PRD de Mato Grosso”, disse.
A mudança atingiu diretamente o então presidente estadual da sigla, Mauro Carvalho, que foi comunicado da decisão na segunda-feira (31), sem aviso prévio. A medida foi tomada pela direção nacional, sob comando de Paulinho da Força e Ovasco Resende.
Nos bastidores, a avaliação é de que houve articulação do senador Wellington Fagundes e da deputada estadual Janaina Riva, que teriam buscado o diretório nacional do partido para promover a troca. A estratégia, segundo aliados, teria como pano de fundo o enfraquecimento de grupos ligados ao vice-governador Otaviano Pivetta, possível adversário na disputa pelo governo do Estado.
Dilmar afirmou que o PRD vinha em crescimento e já possuía base consolidada em Mato Grosso, com prefeitos, vice-prefeitos e dezenas de vereadores. “Um partido grande, maior que o PSDB, que é uma sigla histórica dentro de Mato Grosso”, disse.
A crise já provoca reflexos imediatos nas bases municipais. Segundo o deputado, vereadores têm procurado lideranças para deixar a legenda, diante da insegurança gerada pela mudança repentina no comando.
Ele também destacou que o partido estava estruturando chapas competitivas para as eleições proporcionais, com nomes de peso para deputado estadual e federal. Entre os cotados estavam lideranças políticas e representantes de diferentes setores, o que reforçava o projeto de fortalecimento da sigla no Estado.
Dilmar Dal’Bosco revelou ainda que chegou a ser convidado para se filiar ao PRD, mas decidiu permanecer no União Brasil após articulação com o governador Mauro Mendes.
O episódio expõe a disputa antecipada pelo controle político em Mato Grosso e sinaliza que as articulações para a eleição ao governo já estão em curso, com impacto direto na configuração dos partidos.


