RUPTURA CPX
Facção tentou criar “complexo” em VG com regras próprias e monitoramento de moradores
Nickolly Vilela
A Polícia Civil apontou que uma facção criminosa tentou estabelecer controle territorial em um conjunto habitacional de Várzea Grande, com imposição de regras, monitoramento de moradores e influência sobre a dinâmica da região. O caso foi identificado durante as investigações da Operação Ruptura CPX, deflagrada nesta terça-feira (31).
De acordo com o delegado Antenor Júnior Pimentel Marcondes, o grupo buscava exercer domínio sobre o Residencial Isabel Campos, conhecido internamente pelos criminosos como “CPX” ou “complexo”.
As apurações indicam que a facção dava preferência para que integrantes morassem no local e mantinha um sistema de organização por áreas, com responsáveis designados para cada região.
Além disso, criminosos que atuavam na área precisavam comunicar previamente suas atividades aos responsáveis locais, sob risco de punições internas — estratégia usada para manter o controle das ações ilícitas.
A investigação também identificou o uso de moradores para monitorar a presença policial e repassar informações sobre a movimentação de viaturas.
“O mecanismo de vigilância comunitária forçada era utilizado como estratégia para manter o domínio territorial e evitar a repressão estatal”, afirmou o delegado.
Apesar dos indícios, a polícia ressalta que não é possível generalizar a participação dos moradores, que em muitos casos podem ser coagidos ou agir sob pressão.
A operação cumpre 13 mandados de prisão e sete de busca e apreensão em Mato Grosso e São Paulo, com foco em integrantes da base da facção.
Segundo a Polícia Civil, a ação tem como objetivo desarticular a estrutura criminosa e impedir a consolidação de um poder paralelo na região.


