O senador Jayme Campos (União)pediu afastamento temporário das obrigações partidárias por 45 dias. No requerimento, apresentado por ele no último sai 16, o congressista aponta uma “divergência de natureza político-eleitoral” com os rumos adotados pela legenda e sustenta que há incompatibilidade entre suas convicções e o engajamento nas candidaturas estaduais apoiadas pelo partido.
O documento foi encaminhado à Comissão Executiva Estadual do União Brasil. Nele, Jayme deixa claro que não pretende se desfiliar: continuará integrando a bancada da legenda no Senado e preservará o vínculo partidário e os compromissos parlamentares. O afastamento solicitado se restringe às orientações e atividades eleitorais no âmbito estadual.
Na justificativa, o senador afirma que, durante o processo eleitoral de 2026, surgiu uma divergência entre seu posicionamento e a estratégia adotada pelo União Brasil em Mato Grosso. Segundo o requerimento, trata-se de um “dissenso circunstancial às escolhas e à estratégia eleitoral nessa circunscrição”, sem rompimento com os princípios e diretrizes nacionais da legenda.
Jayme também recorre ao estatuto partidário para sustentar o pedido. O documento cita o artigo 16, que asseguraria aos filiados a possibilidade de manifestar convicções políticas e doutrinárias e defender posicionamentos pessoais sobre temas de interesse da sigla. Ao mesmo tempo, reconhece que o estatuto estabelece obrigações de apoio às candidaturas e de participação nas campanhas eleitorais.
É justamente nesse ponto que o senador fundamenta o afastamento. Segundo ele, existe incompatibilidade entre sua convicção política e o engajamento nas candidaturas estaduais apoiadas pelo União Brasil. Por isso, solicita ficar temporariamente dispensado de determinadas atividades eleitorais.
O requerimento ressalta ainda que o pedido não pretende alterar candidaturas, alianças, coligações ou decisões coletivas já tomadas pelo partido. O objetivo declarado é exclusivamente obter um afastamento individual e temporário por 45 dias, período no qual Jayme pretende se abster das obrigações eleitorais estaduais e manter a possibilidade de “promover seu apoio pessoal à candidatura de quem lhe convier”.
O pedido é mais um capítulo do embate interno que marcou a definição eleitoral do União Brasil em Mato Grosso. Jayme pretendia disputar o Governo do Estado e defendia que a legenda lançasse candidatura própria. Do outro lado, o então presidente estadual do partido, Mauro Mendes, defendia uma aliança com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Meses antes da convenção, Mendes já havia declarado publicamente apoio a Pivetta e afirmado que a questão seria decidida pelos votos dos convencionais.
Na convenção de 30 de julho, a proposta defendida por Mendes prevaleceu. Dos 51 convencionais com direito a voto, 30 votaram pela aliança com Pivetta e 19 pela candidatura de Jayme; houve ainda um voto inválido e uma ausência. Com o resultado, o União Brasil decidiu integrar a aliança em torno da reeleição do governador, frustrando o projeto de Jayme de concorrer ao Palácio Paiaguás.
Após a derrota interna, Jayme se afastou politicamente da candidatura apoiada pelo próprio partido e passou a declarar apoio ao senador Wellington Fagundes (PL) na disputa pelo Governo. A aproximação já vinha sendo articulada pelo grupo ligado a Jayme depois da convenção. Mais recentemente, o senador apareceu publicamente defendendo a candidatura de Wellington e criticando a gestão de Pivetta durante a campanha.



