4 CANDIDATOS AO SENADO FALTARAM
“Ausentes perdem chance de mostrar compromisso com a saúde”, diz presidente do CRM
Renato Ferreira/Patrícia Neves
O presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), Adriano Bastos Pinho, lamentou a ausência da maioria dos candidatos ao Senado na sabatina promovida nesta terça-feira (22), em Cuiabá. Segundo ele, os concorrentes que não compareceram perderam a oportunidade de apresentar propostas para uma das principais preocupações da população. Apenas a candidata Margareth Buzetti (PP) e os candidatos Carlos Fávaro (PSD) e Pedro Taques (PSB) compareceram.
O evento foi organizado pelo CRM-MT, Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Mato Grosso (Sindessmat), Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed) e Associação Mato-grossense de Análises Clínicas (Amac). As entidades representam médicos, hospitais, clínicas, laboratórios e outras empresas do setor.
“Esse é um momento ímpar para o nosso estado. Temos entidades que representam cerca de 18 mil médicos e mais de 20 mil empresas ligadas à saúde. Era a oportunidade para os candidatos mostrarem o que pensam e quais propostas têm para a saúde do cidadão mato-grossense”, afirmou.
Conforme Adriano, a ausência prejudica os próprios candidatos, principalmente porque a saúde pública está entre as maiores preocupações dos eleitores.
“Para aqueles que não vieram, é um momento que se perde. Hoje, pesquisas já mostram que a saúde é a primeira pauta para o cidadão. A sociedade quer saber o que o candidato fará pela saúde dele e de sua família. É uma perda muito grande para o próprio candidato”, declarou.
Durante a sabatina, foram discutidos temas ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS), à rede privada, à segurança dos profissionais, à valorização das categorias e aos projetos em tramitação no Congresso Nacional.
Segundo o presidente do CRM-MT, o objetivo era conhecer o posicionamento dos candidatos sobre propostas que poderão impactar diretamente o atendimento prestado à população.
“Tudo no Brasil passa pela Câmara ou pelo Senado. Já existem projetos de lei em andamento e precisamos saber qual é a perspectiva desses candidatos sobre medidas que afetam a saúde pública e suplementar, a valorização profissional, a ética e os honorários”, explicou.
Adriano também afirmou que o principal problema enfrentado pelo setor não é a falta de médicos, mas a distribuição desigual dos profissionais e dos recursos. Conforme os dados apresentados por ele, Brasil e Estados Unidos possuem, em média, três médicos para cada mil habitantes.
“Não é o número de profissionais que fará a diferença, mas a distribuição deles. Precisamos saber onde estão alocados, onde trabalham e se os recursos chegam aos locais que realmente precisam”, disse.
Para o presidente, a falta de estrutura e investimentos afasta médicos dos municípios mais distantes. Ele ressaltou que cerca de 70% dos atendimentos à população ocorrem na atenção primária, principalmente nas unidades básicas de saúde.
“O recurso precisa chegar à ponta, aos municípios e hospitais que atendem a população. Se houver investimento, qualificação e estrutura, o bom profissional estará naquele município onde precisam dele”, afirmou.
A segurança durante os atendimentos também esteve entre as preocupações apresentadas. Segundo Adriano, são registrados diariamente no país cerca de 12 boletins de ocorrência relacionados a agressões contra profissionais, sem considerar os casos que não chegam ao conhecimento das autoridades.
“Não falta profissional. Falta aplicação adequada do dinheiro para que o bom profissional esteja no município atendendo a população, com estrutura, valorização e segurança”, concluiu.
Ausentes do debate os candidatos Janaina Riva (MDB), Mauro Mendes (União), Antônio Galvan (Avante) e José Medeiros (PL) não compareceram.



