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Delegado nega vazamento de operação; celular, arma e quase R$ 300 mil apreendidos

Muvuca Popular

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O delegado Marcel Gomes de Oliveira negou que tenha havido vazamento da operação realizada nesta sexta-feira (25) contra o ex-prefeito de Pontes e Lacerda e candidato a deputado estadual Alcino Pereira Barcelos (PL). Alcino não estava em sua residência quando os agentes cumpriram o mandado de busca e apreensão. Segundo Marcel, ele foi localizado posteriormente em Mirassol d’Oeste, passou por uma busca pessoal e teve o celular apreendido.

“Não houve vazamento. Foi 100% exitosa a operação”, afirmou o delegado, que atua na chefia do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Ele também confirmou a apreensão de uma arma de fogo e informou que materiais foram recolhidos em diferentes endereços.

Na casa de Alcino, os agentes apreenderam cerca de R$ 280 mil em espécie. O ex-prefeito negou irregularidades e, em vídeo publicado nas redes sociais, questionou o momento da operação, realizada durante o período eleitoral. Ele afirmou que a arma encontrada no imóvel é uma garrucha calibre 28, sem munição, guardada como lembrança do pai. Questionado sobre o montante em espécie exato encontrado, o delegado não declarou detalhes.

A ação cumpre 12 ordens judiciais contra agentes públicos e pessoas ligadas à iniciativa privada. A investigação apura suspeitas de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa relacionadas a contratos firmados pela Prefeitura de Pontes e Lacerda entre 2017 e 2024.

Segundo o Naco, há indícios de favorecimento da empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda. em contratações com o município. Os investigadores identificaram sete contratos entre a empresa e a prefeitura. Cinco deles, firmados entre 2022 e 2023, somaram cerca de R$ 4,7 milhões. Após atualização monetária, o valor chega a R$ 5,78 milhões.

A apuração também aponta possíveis vínculos familiares, empresariais e funcionais entre agentes públicos e particulares relacionados aos contratos. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações consideradas suspeitas.

Outro ponto investigado é a compra, por Alcino, da propriedade rural Estância Rancho Fundo I. Conforme o Naco, a negociação previa a entrega de 100 cabeças de gado Nelore como pagamento, mas não foram encontrados registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a transação.

As medidas foram autorizadas pelo desembargador Orlando Perri, relator do caso. Além das buscas, elas incluem acesso a dados telemáticos, quebra dos sigilos bancário, fiscal e financeiro e indisponibilidade de bens, direitos e valores. A operação conta com apoio da Polícia Civil e da Controladoria-Geral do Estado. Segundo Marcel, os materiais apreendidos serão detalhados em relatórios encaminhados ao desembargador.

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