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RETA FINAL

Fagundes e Natasha atacam Pivetta, que vê “pacto” entre rivais e defende continuidade da gestão

Renato Ferreira e Patrícia Neves

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O quarto e último bloco do debate da TV Centro América, na noite desta terça-feira (29), terminou com os três candidatos ao Governo de Mato Grosso transformando as considerações finais em um último confronto antes das eleições. Wellington Fagundes (PL) reforçou a aliança com Flávio Bolsonaro (PL), pediu ao eleitor que “não vote em quem agride mulher” e prometeu um “governo humano”. Natasha Slhessarenko (PSD) mirou os dois adversários, falou em retirar a “podridão” da política e pediu votos para Lula (PT). Otaviano Pivetta (Republicanos), por sua vez, reagiu aos ataques e afirmou que os concorrentes formaram um “consórcio” contra ele, enquanto defendeu a continuidade de sua gestão.

Fagundes usou os minutos finais para reforçar a vinculação de sua candidatura ao projeto nacional do PL. “Quero pedir o voto para o 22, Flávio Bolsonaro, porque ele será um grande parceiro para a gente fazer uma revolução de incentivos”, afirmou. Flávio declarou publicamente apoio à candidatura de Fagundes na última semana, quando gravou um vídeo pedindo votos ao correligionário em Mato Grosso.

O senador também fez um apelo direto ao eleitor, sem citar nominalmente o destinatário da crítica. “Primeiro, não vote em quem agride mulher. Não vote em quem agride mulher. Segundo, vote em quem pode ajudar numa grande parceria, que é o Flávio 22 e o Wellington Fagundes 22”, declarou.

Ao falar sobre sua trajetória, Fagundes afirmou que pretende governar com diálogo e associou a atividade política à prestação de serviço à população. “O voto é uma confiança que o eleitor deposita no político e a melhor forma de retribuir essa confiança é o trabalho. É o que eu fiz durante esses 36 anos. Servir, para mim, ser político é o exercício do sacerdócio”, disse.

O candidato do PL ainda prometeu um “governo dos mutirões” e afirmou que pretende administrar sem arrogância. “É assim que nós vamos fazer o governo dos mutirões. Por isso, eu quero pedir a Deus que nos ilumine para que a gente possa ter, sem arrogância, ouvindo a todos, a iluminação”, afirmou.

Fagundes encerrou pedindo participação nas urnas e voltou a reforçar a dobradinha com Flávio. “Não vote em branco, não vote nulo, porque esse voto que você deixar de fazer pode servir para que outro usufrua disso. Portanto, 22. Flávio Bolsonaro, Wellington Fagundes, um governo humano”, concluiu.

Na sequência, Natasha adotou um discurso de oposição aos dois adversários e abriu sua participação dirigindo-se diretamente ao eleitor insatisfeito. “Você que acorda cedo, que dá duro, que trabalha, que paga imposto, que está cansado e indignado. Você não está errado, não. Eu também estou cansada e indignada”, afirmou.

A candidata do PSD então enumerou críticas ao cenário estadual. “Indignada de viver num Estado em que a gente paga tudo e tem governador que não paga cerca de meio bilhão de imposto nos últimos sete anos. Indignada de viver num Estado que tem 865 mil pessoas na fila, que tem escândalos bilionários, de uma CPI da Saúde de R$ 1,1 bilhão. Indignada de viver num Estado que fecha dez escolas, indignada de viver no Estado que mais mata mulheres”, declarou.

A referência de Natasha às 865 mil pessoas na fila da saúde também apareceu em outro momento do debate. Dados recentes do Portal Transparência da Regulação da Secretaria de Estado de Saúde indicam mais de 865 mil registros de espera por consultas, exames, internações e outros procedimentos, considerando as diferentes categorias contabilizadas pelo sistema.

Natasha também procurou aproximar politicamente Fagundes e Pivetta para sustentar que representa uma alternativa aos dois. “Esses candidatos adversários sempre estiveram juntos, brigam pelas mesmas coisas. São tão juntos que o supersecretário da Casa Civil do Otaviano Pivetta e sócio dele em uma empresa é o primeiro suplente do Wellington Fagundes. Então, realmente, sempre estiveram juntos”, afirmou a candidata.

Na reta final da declaração, Natasha endureceu o discurso e apresentou sua candidatura como uma possibilidade de mudança. “Você tem a oportunidade agora, no momento da eleição, de tirar essa podridão que está na política, de mudar o nosso Estado, de eleger a primeira mulher governadora do Estado de Mato Grosso”, disse.

A candidata ainda afirmou que o crescimento registrado por sua campanha a levaria ao segundo turno. “Isso porque eu estou subindo nas pesquisas e, em mais 23 dias, nós já viramos. Então, nós vamos para o segundo turno e eu quero te encontrar lá. É a hora da virada”, declarou. A afirmação sobre chegar ao segundo turno é uma projeção da própria candidata, e não uma conclusão independente sobre o resultado da eleição.

Natasha encerrou pedindo votos para sua candidatura e para Lula. “Dia 4 de outubro, vote por um Mato Grosso diferente, vote por um Mato Grosso que cuide de gente, vote 55, 55 para governadora, doutora Natasha. Vote para presidente Lula 13”, finalizou.

Pivetta foi o último a falar e iniciou as considerações finais recorrendo à própria trajetória profissional e política. “A minha história foi escrita com muito trabalho, com muito esforço. E, quando eu enveredei para a vida pública, eu fui para servir. Eu sou um servidor”, afirmou.

O governador também reivindicou participação no desenvolvimento econômico e na industrialização do Estado. “Eu transformei as regiões onde eu atuei. Transformei as cidades, eu ajudei a fazer um lugar melhor no nosso Mato Grosso. Eu estimulei a criação de muitas indústrias. Sou considerado um dos fundadores da verticalização da produção de Mato Grosso”, declarou.

Depois de ouvir críticas ao longo do debate, Pivetta respondeu diretamente aos dois concorrentes e disse enxergar uma atuação conjunta contra sua candidatura. “Ela sabe disso, ele também sabe. E deu para ver que eles se juntaram aqui num consórcio para me atacar”, afirmou.

Pivetta então direcionou a fala aos eleitores e defendeu que Mato Grosso mantenha o atual caminho administrativo. “Somos muitos mato-grossenses e muitos migrantes que formamos essa pátria mato-grossense, esse lugar de oportunidades, esse celeiro de oportunidades, que, se o Estado continuar no rumo certo, nós vamos, sim, resgatar todos os irmãos mato-grossenses que ainda ficaram para trás”, declarou.

O candidato à reeleição também afirmou que houve redução da pobreza durante os últimos anos. “Nesses últimos sete anos, foram mais de 300 mil pessoas que saíram da pobreza. E nós temos compromisso com isso, com servir as pessoas”, disse.

Na conclusão, Pivetta apostou na experiência administrativa como argumento para pedir mais um mandato. “Vocês sabem que eu faço, vocês sabem que eu sei montar equipe, vocês sabem das minhas intenções. Eu sou um servidor. Eu entrei na política para servir e, por onde eu passei, eu deixei resultados”, afirmou.

“Agora eu quero, nesses próximos quatro anos, iniciar um novo ciclo junto com vocês, governando Mato Grosso para todos os mato-grossenses, melhorando os serviços públicos, melhorando a saúde, melhorando a educação, a segurança, a infraestrutura. Continuar construindo esse Estado. Meu número é 10, Pivetta é 10”, concluiu.

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