SEM APELAÇÃO
Janaína rebate Medeiros com “não tenho duas caras” e diz que não há “ministro de estimação” no STF
Renato Ferreira
A deputada estadual e candidata ao Senado Janaína Riva (MDB) reagiu ao áudio em que o deputado federal e candidato ao Senado, José Medeiros (PL), a classifica como a “adversária a ser abatida” e afirmou que não tem “duas caras”. Ao comentar o episódio, ela também defendeu a investigação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) quando houver suspeitas de crimes e disse que o diálogo institucional com a Corte não significa complacência. Os dois candidatos defendem o nome de presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
“Eu não posso falar por ele, mas eu posso dizer à população que eu não tenho duas caras. O que eu falo na frente eu sustento também quando não estou na frente do meu eleitor”, declarou.
Janaína afirmou que mantém a mesma posição sobre a responsabilização de autoridades, independentemente de quem seja o investigado. Para ela, ministros do Supremo devem estar sujeitos à apuração de suspeitas como qualquer cidadão.
“Aquele que porventura venha a cometer algum tipo de crime tem que ser investigado. Isso funciona para todo cidadão brasileiro. Por que seria diferente com ministros do STF? A gente não pode ter ministro de estimação, todos têm que responder da mesma forma”, afirmou.
A declaração ocorreu ao comentar a gravação encaminhada por Medeiros, deputado federal e candidato ao Senado, ao prefeito de Diamantino, Chico Mendes (União), irmão do ministro Gilmar Mendes. No áudio, o parlamentar reconhece a força eleitoral de Janaína e avalia que ela provavelmente será eleita.
“Como a Janaína é uma candidata que provavelmente vai vencer a eleição aí, que tem uma desenvoltura muito boa”, diz Medeiros. Na sequência, acrescenta: “É adversário a ser batido, né? Pelo Fávaro, pelo Mauro, por todo mundo”.
Medeiros também relata dificuldades para lidar com a presença da emedebista na composição política. Ele afirma que não poderia atacá-la por ela ser nora do senador Wellington Fagundes, candidato do PL ao Governo de Mato Grosso, mas demonstra resistência em apoiá-la pelo perfil de parte de seu eleitorado.
“Eu não tenho como atacá-la porque ela é nora do senador Wellington, enfim”, afirma. Ao explicar por que não queria Janaína na coligação, diz: “Você sabe que o meu eleitor é aquele eleitor que ora para alienígena e bebe detergente, né?”.
Janaína disse que o conteúdo não a surpreendeu e que já percebia os ataques dos concorrentes. Na avaliação dela, a movimentação está relacionada à posição que ocupa na disputa.
“Não sou só alvo dele, sou alvo neste momento de todos os candidatos, porque eles acreditam que eu sou adversária a ser combatida por estar hoje na segunda colocação na candidatura ao Senado”, declarou.
Sobre sua relação com o STF, a deputada afirmou que articula reuniões para tratar de demandas de Mato Grosso, inclusive do agronegócio. Citou como exemplo a atuação junto à Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), com pedidos de agendas e interlocução com senadores, deputados federais e o MDB nacional.
Segundo Janaína, essa atuação exige respeito entre os poderes, mas não impede cobranças ou investigações. “A relação entre poderes precisa ser respeitosa, sob pena inclusive de risco à democracia. Precisa haver uma convivência harmônica”, disse. “Agora, isso não quer dizer que precisa haver complacência, não precisa haver cumplicidade.”
A candidata sustentou que sua interlocução com o tribunal tem caráter institucional e que a aplicação da lei deve seguir o mesmo critério para todos.
“Aquilo que eu defendo não é diferente para o Chico, para o Francisco, para o João, é para todos”, afirmou.
Na disputa eleitoral, Janaína disse que tem evitado ataques pessoais para conquistar também o segundo voto dos eleitores. Segundo ela, adversários que passaram a atacá-la podem perder o apoio de pessoas que pretendiam votar nos dois.
“Estou fazendo uma eleição sem mirar em ninguém, sem atingir nenhum dos adversários, com o objetivo também de conquistar o segundo voto. Preciso lembrar que essa é uma eleição de dois votos”, declarou.



