FALA RECORTADA
Medeiros diz que áudio sobre Janaina foi editado para parecer que admitiu derrota; veja
Gustavo Castro e Renato Ferreira
O candidato ao Senado José Medeiros (PL) afirmou que trechos de um áudio vazado em que comenta a candidatura de Janaina Riva (MDB) foram editados de forma a dar a entender que ele teria admitido que não venceria a eleição. Segundo Medeiros, a fala foi retirada do contexto e, na gravação completa, ele apenas avaliava o cenário da disputa e classificava Janaina como uma das candidaturas fortes da corrida ao Senado.
A declaração foi dada nesta quarta-feira (30), durante encontro com candidatos ao Senado promovido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), ao ser questionado sobre a repercussão da gravação.
“Ali recortaram. Eu falei: ‘olha, considero que ela…’ Ali era dizendo o seguinte, porque o contexto ali era dizendo que eu estava atacando o Gilmar. A conversa tinha dito que eu tinha atacado o Gilmar, e o que eu disse naquele vídeo ali, eu falei, não, é muito importante entender que como ela é uma candidata extremamente competitiva”, afirmou.
O áudio completo, divulgado nessa terça-feira (29), mostra Medeiros conversando com o prefeito de Diamantino, Chico Mendes (União), irmão do ministro Gilmar Mendes. Na gravação, o candidato afirma que Janaina “provavelmente vai vencer a eleição”, elogia a “desenvoltura” dela e, em seguida, diz que ela seria uma “adversária a ser batida” pelos demais concorrentes.
“Como a Janaina é uma candidata que provavelmente vai vencer a eleição aí, que tem uma desenvoltura muito boa. O que eu estava dizendo, cara, eu não fiz, porque a reclamação ali, eu falei, ó, Medeiros está fazendo vídeo, estavam falando que eu estava fazendo vídeo, eu falei, não fiz nada”, explicou Medeiros nesta quarta.
Segundo o candidato, o trecho divulgado isoladamente retirou justamente a parte em que ele contextualizava a expressão “competitiva”.
“É uma candidata a ser batida por todos os candidatos. (…) Eu falei, está cotada aí para provavelmente vencer a eleição. Tinha vários candidatos competitivos, e eu era um deles”, afirmou.
Na gravação completa, Medeiros também explica por que evitava aparecer publicamente ao lado de Janaina, que atualmente disputa o Senado pela mesma coligação. Ele afirma que uma aproximação poderia provocar a migração de parte de seus eleitores para outros candidatos.
“Eu não preciso atacar a Janaina, mas eu não posso estar abraçado, eu não posso estar na foto”, diz Medeiros no áudio.
O candidato também contestou a interpretação de que a gravação demonstraria que ele teria admitido derrota na eleição.
“A discussão da campanha sempre foi dita o seguinte: Mauro é competitivo por ser ex-governador, Medeiros é competitivo porque é um candidato do Bolsonaro, e ela é competitiva. E o raciocínio era esse. Aí você corta, retalha e põe: ‘ah, Medeiros diz que vai perder a eleição e diz que já não vai ganhar’. Não era esse”, afirmou.
Na avaliação de Medeiros, o áudio foi utilizado politicamente para produzir uma interpretação diferente daquela que pretendia transmitir.
“Quer dizer, campanha suja, mas quem contrata, quem põe de suplente um sujeito que fez, que teve relações com empresa, que foi dinheiro lá na lavanderia do PCC e volta para o dele, então, assim. Eu até pedi investigação nisso aí, porque isso é um perigo”, declarou.
Medeiros também afirmou que considera normal a existência de diferentes candidaturas competitivas na disputa pelo Senado e voltou a defender sua própria candidatura.
“Eu falei, olha, é uma candidatura que está aí cotada para provavelmente vencer a eleição. Tinha vários candidatos competitivos, e eu era um deles”, repetiu.
A repercussão do áudio ocorre na reta final da eleição para o Senado. Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado nesta quarta-feira (30) mostra Janaina com 33,3% das intenções de voto e Medeiros com 29,3%. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais, e os dois aparecem dentro de uma faixa de sobreposição estatística no levantamento.
Medeiros encerrou a explicação afirmando que o episódio envolvendo o áudio seria apenas parte de uma disputa marcada, segundo ele, por ataques e edições de declarações.
“Então, editar, cortar um vídeo é o de menos”, concluiu.
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