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CHEGANDO O DIA 4...

Acusações de corrupção, incentivos fiscais e cobrança de renúncia pautam debate

Renato Ferreira/Patrícia Neves

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O último debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso antes do primeiro turno foi marcado por acusações de corrupção, cobranças sobre incentivos fiscais e questionamentos sobre dívidas com servidores públicos. Realizado nesta quinta-feira (1º) pela TV Vila Real, o encontro reuniu Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL), Natasha Slhessarenko (PSD), Rafaell Milas (Missão), Maurício Coelho (Mobiliza) e Sargento Laudicério (Agir).

Ao longo do programa, os candidatos dividiram o tempo entre apresentar propostas e confrontar a trajetória, as alianças e as declarações dos adversários. Nos embates mais tensos, perguntas sobre medidas concretas deram lugar a críticas pessoais. Saúde, segurança pública, revisão salarial e empréstimos consignados também entraram na discussão, mas nem todas as promessas vieram acompanhadas de prazos ou explicações sobre a execução.

Incentivos fiscais e desafio de renúncia

A promessa de Wellington Fagundes de renunciar à candidatura caso fossem comprovados incentivos fiscais à sua família voltou ao centro do debate. Rafaell Milas afirmou possuir documentos que demonstrariam benefícios a uma empresa ligada ao filho do senador e propôs apresentar os registros à imprensa após o programa.

“Se eu estiver errado, eu renuncio à candidatura. Se o senhor estiver mentindo, o senhor renuncia”, declarou Milas.

Fagundes negou os benefícios mencionados e aceitou acompanhar a apresentação dos documentos. A troca de desafios, porém, não resolveu durante o confronto a divergência sobre os registros e os vínculos empresariais apontados.

O episódio colocou a declaração anterior do senador sob nova cobrança e transferiu para depois do debate a conferência da documentação anunciada por Milas.

Natasha confronta Pivetta e é questionada sobre aliados

Natasha dirigiu a Pivetta acusações relacionadas à compra de ambulâncias, recursos da saúde, uma usina no Piauí e renúncias fiscais. O governador reagiu com uma crítica à postura da candidata.

“Quem mudou foi a senhora. A senhora se transformou numa pessoa quase desconhecida”, respondeu.

Pivetta defendeu sua trajetória empresarial e afirmou que os negócios que criou geram mais de 2 mil empregos diretos. Também citou pagamentos de impostos e a contribuição das empresas para a arrecadação estadual. No confronto, entretanto, não respondeu individualmente aos episódios mencionados pela adversária.

Natasha também precisou explicar suas alianças. Milas citou Emanuel Pinheiro, Gilmar Fabris, Pedro Taques e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e perguntou se esses nomes teriam espaço em um eventual governo da candidata.

Ela afirmou que apoio eleitoral não significa participação na gestão e disse que não daria “atestado de inocência ou de culpa” a aliados ou adversários.

“Eu respondo pelo meu CPF”, declarou.

Os dois embates expuseram uma cobrança recorrente no encontro: além das propostas, os candidatos foram pressionados a explicar com quem pretendem governar e como respondem por suas próprias trajetórias.

RGA e consignados mobilizam cobranças

Sargento Laudicério questionou Pivetta sobre a recomposição das perdas acumuladas da Revisão Geral Anual (RGA). O candidato do Agir citou um percentual de 30% e pediu que o governador esclarecesse se o compromisso contemplava apenas as próximas revisões ou também os valores anteriores.

Pivetta prometeu valorização e diálogo com os servidores, destacando a participação de sua candidata a vice, Gisela Simona (União Brasil), nas conversas. Não apresentou, naquela resposta, um cronograma para os atrasados.

“Vamos valorizar os servidores, esse é o compromisso”, afirmou.

Maurício Coelho, por sua vez, cobrou a suspensão dos descontos de operações de consignados e cartões de benefício denunciadas como fraudulentas. O candidato pediu que Pivetta assumisse o compromisso de interromper os repasses ao deixar o debate.

O governador respondeu que encaminhou uma proposta legislativa para extinguir os cartões de benefício e restringir consignados quando ocupou interinamente o governo, em 2025. Disse ainda que o Estado acionou 14 instituições financeiras e passou a depositar valores em juízo.

“Já temos mais de R$ 100 milhões em juízo em defesa desses servidores que foram assaltados”, declarou.

A resposta apresentou medidas que, segundo Pivetta, já estão em andamento, mas não representou adesão à suspensão imediata na folha solicitada por Maurício.

Banco Master amplia confronto entre Fagundes e Milas

Wellington levou o Banco Master à discussão sobre corrupção e perguntou a Milas como evitaria casos envolvendo servidores e aposentados. O candidato do Missão propôs um painel público para acompanhar os gastos estaduais, incluindo emendas parlamentares e obras.

Milas também atacou pessoas ligadas à campanha do senador e cobrou explicações sobre seu apoio a Flávio Bolsonaro e sobre Daniel Vorcaro.

“O principal de combater a corrupção é não ter corruptos por perto”, afirmou.

Fagundes prometeu editar, no primeiro dia de governo, um decreto para expulsar o Banco Master do Estado. Também declarou que pagaria a RGA em dia e quitaria valores atrasados. As promessas foram apresentadas sem detalhamento, naquele confronto, dos procedimentos para execução ou do calendário de pagamento.

Maurício defendeu a criação de uma delegacia especializada em crimes complexos e afirmou não temer autoridades. Milas contrapôs a discussão com a defesa de responsabilização na gestão pública.

Saúde e segurança entram na disputa

Natasha criticou a demora para realizar exames na rede pública e afirmou que Mato Grosso tem o “maior tempo de espera do Brasil”, sem detalhar, no trecho apresentado, a base da comparação.

Na segurança, questionou Laudicério sobre valorização profissional, orçamento e estrutura do sistema prisional. A candidata defendeu concurso público e a transferência de 720 policiais de funções administrativas para o trabalho nas ruas.

Laudicério destacou a necessidade de valorizar policiais militares, civis e penais, com atenção à saúde mental e à progressão na carreira. A discussão trouxe propostas para o setor, embora sem aprofundamento sobre custos e prazos.

Despedidas reforçam estratégias de campanha

Nas considerações finais, cada candidato teve um minuto, sem direito de resposta. Depois dos confrontos, os discursos retomaram as principais mensagens das campanhas.

Maurício Coelho destacou a desigualdade de estrutura entre os concorrentes, afirmou não utilizar fundo eleitoral e pediu votos como alternativa de mudança.

Wellington agradeceu a lideranças e igrejas, defendeu um “governo humano” e reforçou o apoio a Flávio Bolsonaro.

Laudicério agradeceu à população e à imprensa pelo espaço para apresentar suas propostas, ressaltando as limitações financeiras de sua campanha.

Pivetta encerrou com a defesa de experiência, conhecimento e sensibilidade para governar. Prometeu dedicar sua energia à melhoria da vida dos mato-grossenses.

Milas criticou sua ausência em outros debates, pediu votos para o Missão e para Renan Santos e apresentou sua candidatura como uma oportunidade de mudança.

Natasha recorreu à trajetória de médica para prometer cuidado com as famílias. Criticou o sistema político e afirmou estar empatada com os principais adversários nas pesquisas, sem identificar o levantamento na despedida.

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