quarta-feira, 7 outubro, 2026

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NOVA LEGISLATURA

Nova composição da ALMT deve manter maioria da base de Pivetta; veja

Gustavo Castro

A nova composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) deve garantir ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos) uma maioria confortável para iniciar o mandato em 2027, mas o cenário ainda está longe de definir quem efetivamente ocupará o campo de oposição ao Executivo.

Dos 24 deputados eleitos no último domingo (4), 14 pertencem a partidos que integraram a coligação responsável pela reeleição de Pivetta. O grupo é formado por Podemos, Republicanos, União Brasil e PSDB, que juntos elegeram mais da metade da Assembleia.

Por outro lado, outros 10 deputados foram eleitos por partidos que estiveram em palanques adversários na disputa pelo Governo do Estado. É o caso dos quatro representantes do PL, três do MDB, dois do PT e um do PSD.

A composição, no entanto, não significa que os 10 parlamentares estarão necessariamente na oposição durante os quatro anos. A formação das bancadas e, principalmente, as negociações políticas que antecedem a posse podem alterar essa correlação de forças.

Entre os nomes que chegam à Assembleia pela primeira vez estão Samantha do Abilio (PL), Alessandra Ferreira (Podemos), Léo Bortolin (MDB), Alcino Barcelos (PL) e Adelcino Lopo (Podemos). O ex-deputado Ulysses Moraes (Podemos) também retorna à Casa.

Dos cinco estreantes, Alessandra Ferreira e Adelcino Lopo foram eleitos pelo Podemos, partido que integrou a chapa de Pivetta. Já Samantha do Abilio e Alcino Barcelos chegam pelo PL, enquanto Léo Bortolin representa o MDB, siglas que estiveram em palanques adversários na eleição para o Governo.

PT deve manter oposição

Até o momento, os deputados Lúdio Cabral e Valdir Barranco, ambos do PT, são os nomes mais claros no campo de oposição. Os dois fizeram oposição ao governo Mauro Mendes durante a atual legislatura e devem manter uma postura crítica também em relação à gestão de Pivetta.

Lúdio, inclusive, foi o segundo deputado estadual mais votado de Mato Grosso, com 86.107 votos, apenas 827 a menos que Max Russi (Podemos), que terminou na primeira colocação. Barranco recebeu 32.137 votos e também garantiu a permanência do PT com duas cadeiras na Assembleia.

A dúvida está principalmente em relação aos demais parlamentares eleitos por partidos que não apoiaram Pivetta na disputa. O PL, por exemplo, terá quatro cadeiras, com Gilberto Cattani, Samantha do Abilio, Faissal e Alcino Barcelos. O MDB terá Dr. João, Léo Bortolin e Thiago Silva, enquanto Wilson Santos será o único representante do PSD.

A atuação desses deputados poderá variar conforme as pautas e as negociações com o Executivo.

Cenário é diferente do início do governo Mauro

O desenho atual também apresenta uma diferença importante em relação à Assembleia que iniciou a legislatura de 2023, durante o segundo mandato de Mauro Mendes (União).

Naquela ocasião, a avaliação política era de uma base governista formada por 22 dos 24 deputados, enquanto apenas Lúdio Cabral e Valdir Barranco, ambos do PT, eram considerados oposição ao governador.

A base de Mauro reunia parlamentares de partidos como União Brasil, MDB, PSB, Republicanos, PSD, PP e outras siglas. A situação chegou a ser descrita como uma ampla maioria governista, com a oposição restrita aos dois petistas.

Ao longo da legislatura, porém, houve mudanças de posicionamento e de blocos. Em 2026, por exemplo, Eduardo Botelho deixou o bloco governista após um conflito envolvendo a composição da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e passou a integrar o bloco liderado por Janaina Riva.

Agora, Pivetta começa a próxima legislatura com uma base eleitoralmente menor que a de Mauro no início do mandato, mas ainda majoritária. São 14 deputados ligados aos partidos que sustentaram sua candidatura, contra 10 eleitos por legendas que estiveram em chapas adversárias.

Podemos vira peça central

Um dos principais fatores para a governabilidade de Pivetta será o tamanho do Podemos. O partido de Max Russi terá seis das 24 cadeiras e será a maior bancada da Assembleia, reunindo, além do presidente da Casa, Beto Dois a Um, Fabinho Tardin, Ulysses Moraes, Alessandra Ferreira e Adelcino Lopo.

O Republicanos, partido do governador, terá quatro deputados: Diego Guimarães, Valmir Moretto, Dr. Eugênio e Nininho. União Brasil e PSDB terão duas cadeiras cada.

Somadas, essas bancadas representam 14 deputados, número suficiente para formar maioria simples no plenário e dar ao governador uma posição confortável para a aprovação de matérias ordinárias.

A principal incógnita será saber até onde essa maioria permanecerá alinhada ao Palácio Paiaguás e quais deputados que hoje estão no campo adversário poderão construir uma relação de independência ou até de apoio ao novo governo.

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