O presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, reconheceu nesta quinta-feira (8) que a coligação com o MDB foi um erro e avaliou que a aliança prejudicou tanto Wellington Fagundes (PL), derrotado na disputa pelo governo, quanto Janaina Riva (MDB), que não conseguiu se eleger ao Senado. Segundo o dirigente, a composição contrariou a vontade da base de direita.
“Eu reconheço que realmente foi um erro”, afirmou, ao ser questionado especificamente sobre a união com o MDB. Ananias sustentou que havia resistência entre os apoiadores do partido. “A base de direita não queria a coligação de jeito nenhum e nós coligamos e aí tivemos esse revés eleitoral.”
Ao comentar a associação da candidatura de Wellington à de Janaina, que é nora do senador, o presidente do PL disse que o desgaste atingiu os dois. “Foi ruim a aliança. O povo mostrou que não queria essa aliança”, declarou.
Apesar da crítica, Ananias afirmou que seguiu uma determinação da direção nacional do partido. Questionado se a composição teria ocorrido por vontade própria, respondeu que não, por uma questão pessoal, mas ressaltou que cumpriu a orientação recebida.
“Eu sou obediente à determinação que a nacional colocou para nós”, disse. Ao longo da entrevista, voltou a defender sua atuação: “Eu fiz aquilo que era determinado pela nacional e eu não me arrependo do que eu fiz.”
O dirigente também procurou separar a derrota ao governo dos resultados obtidos nas demais disputas. Segundo ele, o planejamento apresentado à direção nacional previa eleger um senador, três deputados federais e pelo menos três estaduais. O PL, afirmou, cumpriu essas metas e conquistou quatro cadeiras na Assembleia Legislativa.
“A candidatura de governo é muito difícil, não é fácil. Se fosse fácil, todos os partidos teriam candidato. Nós fizemos e agora temos que reconhecer que o resultado não foi o esperado”, declarou.
Ananias disse não saber se Wellington compartilha de sua avaliação sobre a aliança com o MDB. Ressaltou, porém, que não pretende atribuir individualmente a responsabilidade pela derrota. “Não vamos ficar aqui colocando culpa em A, em B ou em C. O povo não escolheu, é do processo democrático e é natural.”
Permanência no comando
Questionado sobre movimentos internos pela sua saída da presidência estadual, Ananias afirmou que não tem apego ao cargo. Ele relatou ter se reunido com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, na quarta-feira (7), mas não apresentou o encontro como uma garantia de permanência.
“Não é uma garantia de que eu fique, é uma garantia de que o trabalho foi realizado. O trabalho realizado não pode ser, de forma alguma, jogado às traças”, afirmou.
Segundo Ananias, a presidência estadual é um cargo de confiança da executiva nacional, e os interessados em assumir a função podem procurar a direção do partido. “Eu não tenho nenhum medo, nenhuma preocupação”, declarou. Ele também reiterou que não pretende disputar cargos eletivos.
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