Um guia prático de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência cita Mato Grosso entre os estados onde a abstenção merece atenção e apresenta estratégias para a disputa do segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Intitulado “Como vencer o 2º turno”, o documento organiza a mobilização em três frentes: levar eleitores às urnas, conquistar votos de candidatos que ficaram fora da disputa e estimular o voto nulo entre pessoas de esquerda insatisfeitas com Lula.
“O perigo está em casa. Se 7 em cada 100 eleitores do Flávio não voltarem às urnas, a vantagem some”, afirma o material, que trata o comparecimento dos apoiadores como uma das prioridades para a votação de 25 de outubro.
Segundo os números apresentados no guia, 33,5 milhões de eleitores não votaram no primeiro turno. O documento aponta Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo como estados em que a ausência foi mais elevada e nos quais Flávio tem força eleitoral.
A orientação é que os apoiadores procurem familiares, vizinhos e pessoas próximas para identificar quem deixou de votar e entender os motivos. O material também recomenda providências práticas, como consultar o local de votação e separar um documento oficial com foto.
Na avaliação apresentada pelo guia, a percepção de que a eleição já estaria decidida representa um risco à candidatura por desestimular o retorno às urnas.
Disputa pelos indecisos
A segunda frente é voltada aos eleitores de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. O documento apresenta abordagens diferentes para cada grupo, mas recomenda, de forma geral, evitar confrontos, insultos e cobranças pela escolha feita no primeiro turno.
“Quem votou em Cury, Renan, Caiado ou Zema escolheu não votar no Flávio no primeiro turno. Tinha motivo. Respeite isso”, orienta.
O guia sugere substituir acusações por perguntas sobre temas como educação, segurança pública, economia e alternância de poder. A proposta é conduzir as conversas a partir de críticas ao governo Lula, sem exigir identificação integral com Flávio Bolsonaro.
O material cita percentuais atribuídos a pesquisas Datafolha e Nexus/BTG para avaliar a disposição desses eleitores no segundo turno. No caso dos apoiadores de Caiado, reconhece divergências entre os levantamentos e alerta que esses votos não devem ser considerados garantidos.
Voto nulo como alternativa
A terceira estratégia mira eleitores de esquerda decepcionados com Lula. Para esse público, o documento apresenta o voto nulo como alternativa quando não houver disposição para apoiar Flávio.
A orientação revela uma diferença no tratamento da abstenção eleitoral: enquanto o guia busca garantir a participação dos apoiadores de Flávio e converter votos de outros candidatos, propõe reduzir a votação de Lula por meio da anulação entre eleitores insatisfeitos.
O próprio material ressalta que votos brancos e nulos não entram na contagem dos votos válidos e rejeita a ideia de que um grande número de votos nulos possa, por si só, anular a eleição.











