A força eleitoral do bolsonarismo que impulsionou a eleição como senador de José Medeiros e reeleição da deputada federal, Coronel Fernanda, em Mato Grosso não se repetiu na candidatura de Wellington Fagundes (PL) ao governo do Estado e tem culpado. A avaliação é do vereador por Cuiabá e candidato derrotado a deputado federal Rafael Ranalli (PL), que responsabilizou o presidente estadual da sigla, Ananias Filho, pela escolha e classificou o resultado como uma “derrota acachapante”.
“A história mostrou que o senhor Ananias e o PL estavam errados”, afirmou. Para Ranalli, o desempenho nas urnas confirmou o erro da direção partidária ao definir o caminho para a disputa estadual.
O vereador disse que a candidatura de Wellington não conseguiu mobilizar a base bolsonarista na mesma proporção que outros nomes do partido. Ao ser questionado sobre a dificuldade de adesão entre os eleitores da direita, respondeu que a escolha de Ananias foi determinante.
“Eu acho que não pegou. Foi a péssima escolha do Ananias, agora se provou nas urnas. Antes disso não dava para se provar, porque ninguém sabia o número de votos que cada um ia ter”, declarou.
Na avaliação de Ranalli, uma aliança com Otaviano Pivetta (Republicanos) poderia ter produzido um resultado melhor para o grupo, inclusive nas disputas proporcionais. Ele apresentou essa possibilidade como uma alternativa à estratégia adotada pelo PL.
“Provavelmente, se tivesse juntado com o Pivetta, com o 10, talvez tivesse mais sucesso, elegesse mais pessoas do lado de cá”, disse. “Foi uma derrota acachapante. Tem que concordar que o PL fez a escolha errada para o governo do Estado e talvez também para a coligação.”
A crítica à direção veio acompanhada de cobranças sobre a divisão interna durante a campanha. Ranalli afirmou que cumpriu a orientação de apoiar a chapa do partido, mas acusou outros integrantes de não manterem o mesmo compromisso.
“A ordem foi essa, eu cumpri a ordem, a maioria não cumpriu. Pasmem, teve deputado eleito que pediu voto contra a chapa, e ele se aproveitou dos votos da chapa. Ele vai renunciar ao mandato?”, questionou.
O vereador direcionou a cobrança ao deputado federal eleito Thiago Boava. Segundo Ranalli, Boava divulgou um vídeo pedindo que os eleitores não votassem em outros candidatos da própria chapa, embora tenha sido beneficiado pelos votos obtidos pelo conjunto de concorrentes do PL.
“Meus 30 mil votos foram para você. Cadê, vai renunciar?”, afirmou, citando também a contribuição das votações de Coronel Fernanda e Coronel Assis.
Apesar do embate, Ranalli disse estar feliz por ter ajudado a eleger Boava e afirmou acreditar que o deputado eleito contribuirá com as pautas de Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, relatou mágoa com os ataques recebidos durante a campanha e alegou que candidatos do próprio grupo pagaram influenciadores para criticá-lo.
“Eu fiquei muito chateado com essa eleição, o tanto que eu fui atacado”, declarou.
Ao abordar a campanha presidencial, Ranalli também criticou políticos eleitos que passaram a se apresentar como bolsonaristas, mas que, segundo ele, concentram a atuação em reuniões e publicações de apoio. Sem citar nomes, chamou esses aliados de “pseudo bolsonaristas” e cobrou presença nas ruas.
“Eu só vi reunião até agora. É reunião, é fotinha, apoiamos o Flávio”, disse.
Ranalli afirmou que já participa da distribuição de material de campanha e que chegou a colar mais de 700 adesivos em um dia. Para ele, os aliados eleitos precisam assumir uma atuação mais direta na busca por votos.
“Eu só espero que esses engravatados que ganharam saiam dos gabinetes, saiam dessas reuniões e venham para as ruas, porque a gente precisa amplificar o número de votação do Flávio Bolsonaro aqui no Mato Grosso.”











