sexta-feira, 9 outubro, 2026

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COBRANÇA POR UNIÃO

Fora de almoço da vitória, Paula cobra união de Taques e relata “traição” de aliados

Patrícia Neves e Renato Ferreira

A presidente da Câmara de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), afirmou que não foi convidada para o almoço de comemoração da vitória de Ilde Taques, eleito por unanimidade para comandar a Mesa Diretora no biênio 2027–2028. Ao comentar, nesta quinta-feira, (8), a ausência de integrantes de seu grupo no encontro, a parlamentar cobrou uma postura de união do sucessor e disse que a presidência deve representar todos os vereadores.

“Eu penso que todo presidente de um poder tem que buscar trazer todos, cuidar de todos”, afirmou. “Eu fui eleita, não fui eleita por unanimidade, mas procurei agregar, atender a todos, seja quem é base, seja quem é independente, seja quem é oposição.”

Paula disse acreditar que Taques tenha convidado apenas os parlamentares que o acompanharam durante a articulação pela presidência. Segundo ela, seu grupo adotou uma postura de “bandeira branca” para garantir uma convivência harmônica na Casa, mas não foi incluído na celebração.

A vereadora comparou ainda a  responsabilidade do presidente do Legislativo à de um prefeito, que precisa atender toda a população, independentemente de quem o apoiou na eleição. Embora tenha afirmado que “está tudo bem” com a ausência de convite, reforçou a expectativa de que a próxima gestão mantenha o diálogo com todos os integrantes da Câmara.

A cobrança ocorre após o desgaste da disputa pela Mesa Diretora. Paula afirmou que seu nome foi apresentado por um grupo de vereadores e que a articulação buscava reunir 14 votos. Segundo ela, a saída de aliados na reta final comprometeu o projeto e provocou um sentimento de traição.

“Tem gente que anoiteceu conosco e não amanheceu”, declarou. A presidente disse que foi alvo de ataques durante o processo, mas sustentou que manteve uma postura respeitosa com os colegas e que continuará agindo dessa forma.

Questionada sobre a declaração do irmão, o deputado estadual reeleito Faissal Calil (PL), de que deveria cuidar do próprio mandato e “parar de cuidar de vereador”, Paula atribuiu a reação à preocupação dele com o desgaste enfrentado por ela.

“Eu fui muito atacada e a família sente”, afirmou. Segundo a parlamentar, Faissal a orientou a tomar cuidado diante da dedicação à Câmara e das renúncias ao convívio familiar exigidas pelo trabalho.

Ao fazer um balanço da gestão, Paula também rebateu comentários que, segundo ela, reduziram as entregas da atual Mesa Diretora às melhorias na estrutura do prédio.

“Nosso legado não foi só um banheiro limpo”, disse.

Vereadora de primeiro mandato e à frente de uma Mesa Diretora composta exclusivamente por mulheres, Paula afirmou que não se sente derrotada com o desfecho da disputa.

“Eu fui eleita para ser vereadora”, declarou, ao defender que sua atuação continuará voltada à aproximação entre a população e o poder público.

Como exemplo, citou uma reunião prevista com a Prefeitura para discutir a exigência de habite-se vinculada ao alvará de localização. Segundo ela, a Câmara tem intermediado o diálogo com representantes do setor produtivo para evitar prejuízos às atividades que geram emprego e renda.

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