A recente declaração de apoio do empresário Blairo Maggi (PP) à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República tem como plano de fundo uma grande articulação política na Esplanada dos Ministérios. A revelação é do produtor rural e ex-assessor do Mapa, Carlos Ernesto Augustin, o “Teti” (PSB). Segundo o megaempresário, o movimento busca garantir espaço para o grupo político no governo federal e promover um rodízio na bancada de Mato Grosso no Senado.
“Pelo que eu ouço falar, é que ele [Blairo] quer indicar o Mauro Mendes para ser ministro de Minas e Energia ou ministro da Agricultura, caso o Bolsonaro vença, para que o suplente Cidinho migre para a senatória”, revelou Augustin.
Mudança de postura
Para o “barão do agro”, a guinada de Blairo Maggi, que costumava manter neutralidade em disputas presidenciais, se deve à percepção do cenário eleitoral e à falta de espaço na atual gestão do Ministério da Agricultura, comandada por Carlos Fávaro (PSD).
“O que acontece é que o Blairo ficava, vamos dizer assim, em cima do muro. E agora ele entendeu que ‘esse lado vai ganhar e eu vou para esse lado para fazer o ministro’”, analisou Teti, demonstrando surpresa com o posicionamento do ex-governador.
A engenharia política beneficiaria diretamente o empresário Cidinho Santos (PP), primeiro suplente do senador eleito Mauro Mendes (União). Cidinho é homem de confiança de Blairo e já assumiu o mandato no Senado entre 2010 e 2018, na época em que Maggi se licenciou para assumir o Ministério da Agricultura no governo Temer. A movimentação também ajudaria a dar sustentação política a Mendes, que lida com desdobramentos na Justiça Eleitoral sobre a última campanha.
Apesar do pragmatismo político, Augustin fez um duro alerta sobre os prejuízos que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro traria para a balança comercial do agronegócio de Mato Grosso. O produtor teme um alinhamento automático com os Estados Unidos que acabe azedando as relações com a China, maior compradora das commodities brasileiras.
“O Flávio é um problema para a agricultura do Brasil. Porque o Flávio vai lamber as botas do Trump e isto desagrada a China. Os Estados Unidos não é o nosso aliado na agricultura, os Estados Unidos é nosso concorrente”, assinalou.
Ele lembrou ainda que retaliações chinesas costumam vir na prática: “A China não se pronuncia sobre isso ou aquilo, mas faz cortes aos volumes de carne que o Brasil exporta. Isso é extremamente perigoso”.
Socorro ao produtor rural
Por fim, Augustin destacou que a presença de Lula na Presidência é o que tem garantido credibilidade e a abertura de novos mercados internacionais para os produtos brasileiros.
Para ele, em momentos de crise no campo, a postura da oposição preocupa o setor.
“Eu já vi o presidente Lula e a presidente Dilma equacionar várias vezes o endividamento da agricultura. Agora, um governo de capitalismo selvagem não vai acudir a agricultura. Vai largar às traças. Realmente estou muito preocupado com isso”, concluiu












