O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), subiu o tom contra o ex-governador e ex-candidato ao Senado Pedro Taques ao rebater críticas à segurança pública do Estado. Na noite desta terça-feira (13), durante a inauguração da Casa 22, em Cuiabá, Pivetta afirmou que Taques ignorou a responsabilidade do governo federal no combate ao crime organizado e usou o ataque brutal contra um vereador de Rondonópolis, que teve parte da orelha cortada por criminosos, para defender que as facções sejam tratadas como organizações terroristas.
O gestor ainda elevou o tom contra o adversário derrotado na disputa pelo Governo de Mato Grosso, senador Wellington Fagundes (PL), a quem acusou de ser “no mínimo conivente” com a situação por estar há décadas no Congresso Nacional sem, segundo ele, conseguir mudar leis que considera brandas.
“Ele esqueceu de citar que Mato Grosso está no coração do Brasil. Nós fazemos fronteira com Tocantins, com Goiás, com Mato Grosso do Sul. Nós fazemos fronteira com a Bolívia, 900 quilômetros, sem a presença pública do governo federal. Ele esqueceu de citar tudo isso”, disparou Pivetta.
A reação ocorreu após o governador ser questionado sobre declarações de Pedro Taques, que criticou a condução da segurança pública em Mato Grosso e apontou que o Estado teria deixado as portas abertas para o avanço da criminalidade. Pivetta rejeitou a avaliação e sustentou que o enfrentamento às facções não pode ser atribuído exclusivamente ao governo estadual.
“A nossa parte nós estamos fazendo e vamos fazer cada vez mais. Mas é preciso que o Brasil tenha uma política de combate ao crime organizado, que aceite essa sugestão de que as organizações criminosas são, sim, organizações terroristas”, afirmou.
O governador foi além e classificou como terrorismo a violência praticada contra o vereador Wesley Cláudio (Novo), em Rondonópolis. O parlamentar teve parte da orelha cortada durante um assalto à residência da família, episódio que provocou repercussão pela brutalidade dos criminosos.
“O que fizeram em Rondonópolis há 10 dias atrás foi, sim, um ato terrorista na casa do vereador. Quem tem dúvida de que foi um ato terrorista? As organizações criminosas são terroristas? Pois eu estou falando. Para mim são terroristas. E nós temos que considerar como tal”, declarou.
Vereador teve orelha cortada durante assalto
O crime ocorreu na madrugada de 28 de setembro, quando homens armados invadiram a residência do vereador Wesley Cláudio, em Rondonópolis. O parlamentar, a esposa e os dois filhos foram mantidos reféns durante aproximadamente três horas, sob ameaças e agressões.
Pivetta cobra União e defende guerra às facções
Ao responsabilizar também o governo federal pelo enfrentamento à criminalidade, Pivetta afirmou que Mato Grosso enfrenta uma situação especialmente delicada por estar localizado em uma região estratégica para o tráfico de drogas e outras atividades ilícitas.
Segundo o governador, a extensão da fronteira com a Bolívia exige uma presença mais efetiva das forças federais, principalmente no combate à entrada de entorpecentes e à atuação de organizações criminosas.
“Nós dependemos do governo central, que tem a responsabilidade de assumir a fronteira do Brasil com a Bolívia, que são 900 quilômetros que o estado de Mato Grosso cuida sozinho, sem a presença do governo federal”, criticou.
Pivetta também defendeu uma mudança na política nacional de segurança pública, com ações mais rigorosas e integradas contra as facções. “Nós queremos fazer segurança pública de verdade, inseridos numa política nacional de segurança pública, que resolva combater o crime organizado, que resolva decretar guerra a essas facções criminosas, que resolva realmente acabar com essa lambança que é a segurança pública no Brasil”, afirmou.












