quinta-feira, 15 outubro, 2026

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“Não aguentava mais a pressão”, diz Lemes ao atribuir renúncia a Jefferson Siqueira

Patrícia Neves e Renato Ferreira

O vereador Antônio Lemes (PSD) afirmou, na manhã desta quinta-feira (15), que renunciou à cadeira na Câmara de Cuiabá após sofrer pressão política do titular da vaga, Jefferson Siqueira (PSD). Segundo o suplente, a cobrança para deixar o cargo ocorreu em razão das divergências durante a disputa pela presidência da Mesa Diretora.

“Eu não aguentava mais a pressão na minha cara, no telefone, para eu passar para esse lado, participar de almoço, de jantar”, declarou. Questionado se houve ameaça, Lemes negou. “Não chegou a ser ameaça. São pressões de diálogo, pressão política.”

Lemes assumiu a cadeira durante a licença para tratamento de saúde de Jefferson. Nesta manhã (15), afirmou que pretendia permanecer no grupo da presidente Paula Calil (PL), enquanto o titular cobrava apoio a Ilde Taques (Podemos), eleito presidente para o biênio 2027/2028 com os votos dos 27 vereadores.

Segundo Lemes, sua aproximação com Paula e com o prefeito Abilio Brunini (PL) estava relacionada ao atendimento de demandas dos bairros onde atua no movimento comunitário. Ele afirmou que três bairros foram contemplados e que essa construção motivou sua decisão de permanecer com o grupo.

“O desejo meu era estar do lado da Paula Calil”, afirmou. Apesar da preferência, Lemes confirmou que foi um dos 27 parlamentares que votaram em Ilde.

O suplente também explicou a mudança de posicionamento após aparecer em uma foto com o grupo de Paula e, no dia seguinte, declarar apoio a Ilde. Segundo ele, a decisão foi uma tentativa de conseguir um período de descanso diante das cobranças que antecederam a eleição.

Lemes relatou que Jefferson alegou ter sofrido prejuízos políticos com a situação e passou a pedir sua saída da Câmara.

“Ele não tem direito nenhum de fazer eu renunciar, mas, por bom senso, eu vou abrir o espaço novamente para ele”, disse.

No requerimento encaminhado a Paula Calil, Lemes informou que renuncia por motivos particulares e pediu que a saída tenha efeito a partir de 19 de outubro. No documento, declarou que a decisão foi tomada de forma “livre, consciente e espontânea”.

Durante a entrevista, afirmou que o acordo político previa sua permanência até 17 de novembro. Ele lamentou deixar a Câmara antes desse prazo e disse que ainda poderia atender outras demandas das comunidades.

Apesar das críticas, Lemes afirmou que pretende manter o diálogo com Jefferson e com os demais vereadores.

“Não quero quebrar a ponte com o vereador Jefferson. Quero continuar conversando com ele”, declarou.

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