O terceiro suplente de vereador pelo PSD, Dito Labamba, comemorou nesta sexta-feira (16) a possibilidade de retornar à Câmara Municipal de Cuiabá após 26 anos longe do Legislativo. A movimentação ocorre depois da renúncia de Antônio Lemes de Paula (PSD) e da decisão do segundo suplente, Misael Galvão, de não assumir a cadeira temporariamente.
Em entrevista ao muvuca popular, Labamba demonstrou entusiasmo com a perspectiva de voltar ao Parlamento municipal e atribuiu a articulação política que abriu caminho para sua convocação à Roberto Stopa.
“Eu fico muito contente após 26 anos eu voltar à Câmara Municipal de Cuiabá, uma articulação feita pelo nosso amigo Stopa. E eu, como terceiro suplente, hoje estou assumindo a Câmara Municipal para fazer um grande trabalho junto à nossa população, principalmente o movimento comunitário e todos os segmentos da sociedade cuiabana”, afirmou.
Ex-vereador e liderança comunitária, Dito Labamba também preside o bairro Parque Mariana. Questionado sobre as prioridades para o período de aproximadamente 30 dias em que poderá exercer o mandato, reconheceu que o tempo será curto, mas garantiu disposição para atender às demandas da população.
“Olha, nós vamos procurar fazer aquilo que é de melhor para a nossa população. É muito pouco espaço, mas nós vamos trabalhar naquilo que for possível, para que nós possamos trabalhar junto com a nossa comunidade e dar aquilo que nós entendemos que é o melhor”, declarou.
A eventual chegada de Labamba ao Legislativo representa mais um capítulo da movimentação política envolvendo a cadeira do vereador titular Jefferson Siqueira (PSD), que se licenciou por 120 dias. O afastamento tem término previsto para 13 de novembro.
Renúncia, pressão política e desistência
A possibilidade de retorno de Dito Labamba surgiu após Antônio Lemes, primeiro suplente do PSD, apresentar uma carta de renúncia durante a sessão de quinta-feira (15). No documento, o parlamentar alegou motivos particulares e estabeleceu o dia 19 de outubro como data de saída.
Posteriormente, porém, Lemes afirmou ter sofrido pressões políticas de Jefferson Siqueira, titular da cadeira, em razão de divergências nas articulações para a eleição da Mesa Diretora da Câmara. Segundo o suplente, o desgaste se intensificou diante das disputas pelo comando do Legislativo municipal.
A situação ganhou novos contornos quando Lemes declarou que pretende buscar a anulação da renúncia. Ele alegou ter assinado, sob pressão, um documento cuja redação poderia comprometer até mesmo sua condição de primeiro suplente do partido.
Com a saída anunciada, a vaga deveria ser oferecida ao segundo suplente, Misael Galvão, ex-presidente da Câmara de Cuiabá. Entretanto, Misael decidiu não assumir o mandato, justificando que pretende continuar dedicado à reconstrução do Shopping Popular, atingido por um incêndio em julho de 2024.
A desistência colocou Dito Labamba, que recebeu 715 votos nas eleições municipais de 2024, como próximo nome na ordem de suplência do PSD.
O retorno de Jefferson Siqueira antes do encerramento da licença também foi descartado pela Procuradoria da Câmara. Conforme entendimento apresentado pelo procurador-geral Eustáquio Neto, o afastamento para tratar de interesses particulares impede a reassunção antecipada do mandato, tornando necessária a convocação de um suplente para o período restante.
Apesar de Dito Labamba já falar em retorno ao Legislativo, a efetiva ocupação da cadeira ainda depende dos procedimentos formais da Câmara e dos desdobramentos envolvendo o pedido de renúncia de Antônio Lemes.
Caso a convocação seja confirmada, Labamba terá uma passagem breve pela Casa, mas que marcará seu retorno à atividade parlamentar mais de duas décadas depois de ter exercido o cargo de vereador na capital.














