quarta-feira, 21 outubro, 2026

Expediente

Muvuca Popular

VEJA VÍDEO

Da mansão na Bolívia ao isolamento em MT, Angeliquinha é descrita como “cruel” por delegado

Nickolly Vilela/ Patrícia Neves

A Polícia Civil divulgou imagens da mansão onde Angélica Saraiva de Sá, conhecida como Angeliquinha, morava em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, enquanto estava foragida. Apontada como uma das lideranças de uma facção criminosa no extremo norte de Mato Grosso, ela foi transferida nesta terça-feira (20) para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, onde ficará em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) pelo prazo inicial de seis meses.

“É uma criminosa contumaz e cruel, pelo que a gente vê nos relatos e sentenças em relação aos homicídios”, afirmou o delegado Vitor Hugo Caetano de Freitas, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Segundo ele, Angeliquinha acumula cerca de 260 anos de condenações por crimes como homicídios, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A inclusão no RDD foi determinada pela 5ª Vara Criminal de Sinop, após representação da Polícia Civil. Conforme o delegado, o período poderá ser prorrogado mediante novas decisões judiciais.

Freitas explicou que Angeliquinha ficará isolada, sem contato com outras detentas, e sob vigilância reforçada. Segundo ele, também haverá restrições às visitas e aos períodos de saída da cela, conforme as regras do regime.

“Isso se deu em razão de ela ser uma prisioneira de altíssima periculosidade, com 260 anos de condenação, fora os outros inquéritos e ações penais em andamento, e por ser uma das líderes de organização criminosa”, declarou.

O delegado, que presidiu as investigações da Operação Showdown, apontou Angeliquinha como mandante de diversos homicídios. Conforme ele, a atuação dela se concentra no extremo norte do estado, sobretudo em Alta Floresta e região.

Freitas afirmou que a investigada movimentava quantias elevadas com o tráfico de drogas e outras atividades relacionadas à organização criminosa, inclusive em áreas de garimpo de Alta Floresta e Nova Bandeirantes. Segundo o delegado, ela também utilizava empresas de fachada para lavar dinheiro e beneficiar familiares.

Captura e transferência

Angeliquinha foi localizada e presa em 22 de setembro, em Santa Cruz de la Sierra, durante uma ação conjunta das polícias Civil de Mato Grosso e Boliviana. Ela estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando escapou da penitenciária feminina de Cuiabá.

Dois dias após a captura, foi entregue à Polícia Federal brasileira e encaminhada ao Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá (MS), onde permaneceu até a transferência para Mato Grosso.

O recambiamento foi realizado por equipes da Draco e da Gerência de Capturas da Polícia Civil, em articulação com a Secretaria de Justiça. A operação levou Angeliquinha de volta à mesma unidade prisional de onde havia fugido.

Questionado sobre o intervalo entre a prisão na Bolívia e o retorno a Cuiabá, Freitas afirmou que a transferência exigiu procedimentos de cooperação internacional e a organização de um esquema de segurança.

“Tem que haver uma supremacia de forças do Estado para que haja uma ação coordenada e planejada para que ela seja trazida para cá”, disse.

Conforme o delegado, a data do transporte foi mantida em sigilo para preservar a segurança da operação e o andamento das investigações.

PACAEMBU 1260px X 120px 6 MESES

Leia também