MARCO TEMPORAL
Secretário de Mauro critica judicialização de terras indígenas: “às vezes eu acho que é feito para não dar certo”
Thalyta Amaral e Maryelle Campos
Em meio à retomada das discussões sobre o Marco Temporal, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, César Miranda, fez duras críticas à judicialização da demarcação de terras indígenas. Durante o Seminário Justiça Territorial, nesta quinta-feira (14), ele afirmou que o excesso de ações no Judiciário trava a economia e impede avanços no setor produtivo. “O Brasil, às vezes, eu acho que é feito para não dar certo”, disparou.
A fala de Miranda ocorre em um momento em que se voltou a debater o Marco Temporal. Aprovada pelo Congresso Nacional, a Lei 14.701/2023 exige que, para uma terra ser demarcada, os povos indígenas precisavam estar nela até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal.
Essa lei foi rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023, que voltou a tratar da questão e realizou, durante nove meses, uma comissão de conciliação que enviou, em julho, ao Congresso Nacional, uma proposta para alterar a legislação.
“Eu fico triste. Nós estamos em uma democracia. Se o Legislativo já debateu, se já votou uma lei, tem que ir de novo para o Judiciário? Mas esse é o Brasil: toda vez que a gente está no rumo certo, vem um iluminado, bota uma vírgula e para tudo”, criticou Miranda no evento.
“A gente não pode desanimar e tem que continuar lutando para que os nossos direitos sejam válidos. E aí vale o direito do povo originário, vale o direito de todos os brasileiros. Os povos originários, repito, são brasileiros, mas os italianos que vieram para o Brasil, os alemães, os poloneses, os japoneses, todos que escolheram esse país para morar e viver também são brasileiros e merecem respeito”, defendeu o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico.