Um dos casos criminais mais emblemáticos registrados em Cuiabá nos últimos anos, o assassinato da adolescente Emelly Beatriz Azevedo Sena, de 16 anos, grávida de nove meses, resultou na denúncia de Nataly Helen Martins Pereira pela 27ª Promotoria de Justiça Criminal da capital. A acusação, apresentada em março, atribuiu à ré os crimes de feminicídio, tentativa de aborto, subtração de recém-nascido, parto suposto, ocultação de cadáver, fraude processual, falsificação de documento particular e uso de documento falso, em referência ao homicídio ocorrido no dia 12 daquele mês.
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso, a vítima foi atraída sob o pretexto de receber doação de roupas para o bebê. No local, teria sido imobilizada e asfixiada, o que causou sua morte e colocou em risco a vida do feto. A denúncia descreve que a acusada realizou uma cesárea improvisada na adolescente ainda com sinais vitais, sem anestesia ou qualquer procedimento médico, provocando sofrimento físico intenso.
Após retirar a criança, Nataly teria ocultado o corpo de Emelly, enterrando-o no quintal da residência, e se apresentado em um hospital como se tivesse acabado de dar à luz. Exames médicos, no entanto, constataram que ela não havia passado por parto recente. As investigações apontaram ainda que a acusada limpou o local do crime para eliminar vestígios, utilizou o celular da vítima para enviar mensagens falsas aos familiares e falsificou um exame de gravidez para simular estar gestante.
Na denúncia, o promotor de Justiça Rinaldo Segundo sustentou que o caso se enquadra como feminicídio, por ter sido praticado com menosprezo à condição de mulher da vítima. Segundo ele, a conduta evidenciou a instrumentalização do corpo feminino, tratado como meio para a obtenção do bebê desejado, após meses de contato com a adolescente com o objetivo de acompanhar a gestação.
O promotor destacou ainda que o enquadramento jurídico adotado não compromete o trabalho realizado pela Polícia Judiciária Civil, ressaltando a atuação de delegados, investigadores e escrivães no esclarecimento do caso.
As investigações apuraram que Nataly é mãe de três filhos homens, havia passado por laqueadura e desejava ter uma menina. Por esse motivo, teria mapeado gestantes de fetos femininos e se aproximado da vítima por meio de um grupo de WhatsApp voltado à troca e doação de itens para bebês, utilizando esse contato para atraí-la ao local do crime.



