O período de recesso parlamentar em Mato Grosso deixou de ser apenas uma pausa institucional neste ano e passou a funcionar como uma fase de reorganização silenciosa dentro da Assembleia Legislativa, tendo em vista o processo eleitoral de 2026. Nos bastidores, ao menos nove deputados estaduais já trabalham na redefinição de seus caminhos partidários, mirando a construção de chapas mais viáveis para a disputa eleitoral de 2026.
As conversas ocorrem longe dos holofotes, envolvendo lideranças municipais, prefeitos aliados, grupos regionais e familiares, em um processo de cálculo político que tem menos a ver com ideologia e mais com sobrevivência eleitoral.
A principal debandada ocorre no PSB. O presidente da Assembleia, Max Russi, conduz a saída do partido e negocia filiação ao Podemos. No mesmo caminho seguem os deputados Fábio Tardin e Beto Dois a Um, que também trabalham para ingressar na legenda. A avaliação entre eles é que a vinculação nacional do PSB ao governo Lula pode representar desgaste eleitoral em Mato Grosso.
Já o deputado Dr. Eugênio optou por outro rumo e articula filiação ao Republicanos, partido que vem se fortalecendo no estado após a entrada de Nininho e a aproximação com Chico Guarnieri, que negocia sua saída do PRD para se filiar à sigla.
Outras movimentações também estão em curso. O deputado Faissal Calil deixou o PV e negocia sua ida para o PL. Elizeu Nascimento articula saída do PL para se filiar ao Novo, buscando um discurso mais liberal e alinhado ao eleitorado conservador urbano.
Paulo Araújo, atualmente no PP, também já sinalizou que deixará a legenda para ingressar no PRD, onde avalia ter mais espaço político e menos concorrência interna para a próxima disputa.
O redesenho partidário atinge ainda o PSD, legenda do ministro Carlos Fávaro, que corre o risco de ficar restrita a apenas um deputado na Assembleia: Wilson Santos, diante da saída de outros quadros e da dificuldade de atração de novos nomes.
Nos bastidores, os deputados avaliam tamanho das chapas, tempo de televisão, acesso a recursos de campanha e posicionamento ideológico do partido como fatores decisivos para as trocas. Mais do que afinidade programática, pesa o cálculo sobre viabilidade eleitoral e sobrevivência política.



