MENTIU
PM tentou simular furto de carro para encobrir atentado contra motorista de aplicativo
Kamila Araújo
O delegado Caio Albuquerque, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que o policial militar Rennan Albuquerque de Melo, de 34 anos, tentou forjar o furto do próprio veículo para encobrir a autoria dos disparos contra um motorista de aplicativo durante uma briga de trânsito em Cuiabá.
A tentativa de homicídio ocorreu no dia 19 de dezembro, na Avenida Lavapés, em frente ao Shopping Goiabeiras, após uma colisão entre o carro conduzido pelo policial e o veículo da vítima.
De acordo com a investigação, o Jetta dirigido por Rennan bateu inicialmente na traseira do carro do motorista de aplicativo. Em seguida, o militarr ultrapassou, engatou a marcha à ré e provocou uma nova colisão frontal. A vítima então passou a seguir o veículo para tentar entender o ocorrido e buscar reparação pelos danos.
No trajeto em direção ao bairro Duque de Caxias, Rennan teria parado o carro, descido armado e efetuado diversos disparos contra o veículo do motorista de aplicativo.
“O autor desce do carro e já começa a atirar contra a parte frontal do veículo da vítima. Mesmo quando a vítima tenta fugir, ele ainda atira na traseira do carro”, relatou o delegado Caio Albuquerque.
O motorista de aplicativo conseguiu dirigir até o antigo pronto-socorro, mesmo ferido, e depois foi encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá. Ele foi atingido por dois disparos, um na cabeça e outro na coxa, e permanece em recuperação.
A investigação avançou após a vítima ter conseguido registrar imagens do acidente e da perseguição, o que permitiu à polícia identificar a placa do Jetta. Com isso, os investigadores chegaram até Rennan Albuquerque de Melo como proprietário e condutor do veículo.
Pouco depois do crime, foi registrada uma ocorrência informando que o carro teria sido furtado horas antes, no bairro Duque de Caxias. Essa comunicação, segundo a DHPP, teve como objetivo criar um álibi e afastar a responsabilidade do policial.
No entanto, imagens do sistema OCR Vigiamais flagraram o mesmo veículo entrando normalmente em um posto de combustível logo após os disparos. As gravações mostram Rennan descendo do carro, entrando na loja de conveniência e retornando tranquilamente ao veículo antes de seguir viagem.
“As imagens demonstram claramente que não houve furto. Houve uma falsa comunicação de crime para tentar encobrir a autoria dos disparos”, afirmou Caio Albuquerque.
Com base nessas provas e no reconhecimento feito pela vítima, a Polícia Civil pediu e a Justiça autorizou a prisão temporária de Rennan Albuquerque de Melo, além de mandado de busca em sua residência.
As ordens judiciais foram cumpridas na manhã deste sábado (27) em um condomínio na região do Ribeirão da Ponte, com apoio da corregedoria da Polícia Militar e da Força Tática. Três aparelhos celulares foram apreendidos durante a ação.
Rennan foi conduzido à sede da DHPP, optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório e segue à disposição da Justiça. Ele é investigado por tentativa de homicídio, falsa comunicação de crime e fraude processual.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer se houve participação de terceiros na tentativa de encobrir o crime e para reunir todos os elementos necessários à responsabilização criminal do investigado.



