DINHEIRO NO BOLSO
Com nova faixa de isenção em vigor, 75% dos trabalhadores de MT deixam de pagar Imposto de Renda
Nickolly Vilela
Em vigor desde 1º de janeiro, a nova regra do Imposto de Renda amplia a faixa de isenção para rendimentos mensais de até R$ 5 mil — e coloca Mato Grosso entre os estados mais impactados pela mudança. Levantamento do Brasil em Mapas, com base na PNAD Contínua 2025, mostra que 75,9% da população ocupada no estado recebe até esse valor, o que significa que três em cada quatro trabalhadores mato-grossenses passam a ficar isentos do IR.
Na prática, o dado dimensiona o alcance da medida em Mato Grosso, tanto sobre a renda das famílias quanto sobre a base de arrecadação. Mesmo com o peso do agronegócio e o crescimento econômico, a maior parte dos trabalhadores do estado permanece concentrada em faixas salariais de até R$ 5 mil mensais.
No recorte regional, o Centro-Oeste tem média de 68,6% da população ocupada dentro da nova faixa de isenção. Mato Grosso aparece acima desse índice, atrás apenas de estados do Norte e Nordeste, onde os percentuais ultrapassam 85%. No extremo oposto está o Distrito Federal, com 48,1%, o menor índice do país.
Em nível nacional, 84% dos brasileiros ocupados — cerca de 102,3 milhões de pessoas — ganham até R$ 5 mil por mês, o que amplia o alcance da nova política para a maior parte da força de trabalho.
A reforma do Imposto de Renda, sancionada em novembro, começou a valer neste mês e amplia a isenção, que antes se limitava a rendas de até dois salários mínimos (R$ 3.036). Segundo o governo federal, cerca de 15 milhões de brasileiros passam a ficar totalmente isentos, com renúncia fiscal estimada em R$ 25,4 bilhões.
Para compensar a perda de arrecadação, a nova legislação elevou a tributação sobre rendas mais altas. Contribuintes com ganhos mensais a partir de R$ 50 mil e parte dos que recebem dividendos passam a pagar mais Imposto de Renda. A estimativa oficial é de que 141 mil brasileiros sejam alcançados pelo aumento.
Com a mudança, quem recebe até R$ 5 mil por mês pode ter economia anual de até R$ 4 mil, considerando o décimo terceiro salário.



