CENÁRIO DELICADO
Júlio Campos alerta que desgaste com servidores pode custar caro ao governo e defende parcelamento da RGA atrasada
Da Redação
A discussão sobre o pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores públicos estaduais e o passivo acumulado de 19,52% segue no centro do debate de parlamentares.. Mesmo com a convocação de uma sessão extraordinária na Assembleia Legislativa nesta semana, o projeto do Executivo não chegou a ser enviado, mantendo o impasse entre governo e funcionalismo.
Durante avaliação do cenário, o deputado estadual Júlio Campos (União) alertou para os reflexos políticos da insatisfação dos servidores e destacou o peso eleitoral do funcionalismo público no Estado.
“Tem uma frase famosa que diz assim: o funcionário público não elege ninguém, mas derrota aqueles que eles desejam. Então é um perigo. São mais de cem mil pessoas, entre ativos e inativos, o que representa mais de 400 mil pessoas: pai, mãe, irmão, a família”, afirmou.
Para o parlamentar, diante da atual situação econômica e financeira de Mato Grosso, o governo teria condições de avançar no diálogo e construir uma solução negociada para o pagamento das perdas inflacionárias acumuladas nos últimos anos.
“Se eu fosse o governador, se tivesse o Estado de Mato Grosso como está economicamente e financeiramente preparado, não teria nenhum problema em fazer o parcelamento do restante das revisões e sair de bem aplaudido”, defendeu.
Júlio Campos também fez questão de reconhecer os avanços da atual gestão estadual, destacando que o entrave com os servidores não apaga os resultados administrativos já alcançados.
“Com o governo dele, em termos de realizações, temos que reconhecer que foi um grande governo. Tem obras por todo o Estado. O que está faltando agora é esse bom relacionamento com o funcionalismo”, avaliou.
Segundo o deputado, a expectativa é que o tema volte à mesa de negociações nos próximos meses, especialmente com a aproximação do calendário eleitoral de 2026.
“Em 2026 a eleição já é um fato. Já há previsão de reuniões para discutir essas pendências, tanto com o governo quanto com o Senado e as eleições proporcionais”, concluiu.
Contexto
Os servidores públicos estaduais acumulam perdas salariais referentes aos anos de 2019, 2020, 2021 e 2022, que somam 19,52%, conforme levantamento técnico do Dieese. A reivindicação não trata de aumento salarial, mas da reposição inflacionária, direito previsto constitucionalmente. Até o momento, apesar da sessão extraordinária convocada na ALMT, o projeto do Executivo sobre a RGA não foi apreciado em plenário.



