JUSTIÇA ANALISA
Hospital particular faz proposta de R$ 20 milhões para comprar Santa Casa de Cuiabá
Thalyta Amaral
O Instituto São Lucas, que administra o Hospital Regional de Nova Mutum (264 km ao norte de Cuiabá), fez uma proposta de R$ 20 milhões para comprar o prédio da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá. Sem ofertas do poder público pelo imóvel, a Justiça do Trabalho passou a analisar a possibilidade de efetivar a venda para quitar parte das dívidas acumuladas junto aos ex-funcionários da unidade hospitalar.
Inicialmente, o valor de venda da Santa Casa era de R$ 54,7 milhões. No entanto, o preço foi sendo reduzido à medida que não surgiram interessados. A oferta apresentada pelo Instituto São Lucas corresponde a cerca de 36,5% da primeira avaliação do imóvel, o que tem gerado debates entre credores e representantes legais da instituição filantrópica.
Mesmo com a venda, a proposta não prevê quitação integral à vista. O hospital propôs o pagamento de R$ 15 milhões no fechamento da compra, enquanto os outros R$ 5 milhões seriam divididos em até seis meses. Além disso, mesmo com o pagamento concluído, a posse do prédio só poderá ocorrer após a desocupação pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), atualmente responsável pela gestão do espaço, o que está previsto para abril.
Com a oficialização da proposta, os advogados da Santa Casa e a Comissão de Credores têm prazo de cinco dias para se manifestar sobre os valores ofertados. Após esse período, caberá à Justiça avaliar se a quantia apresentada é suficiente para atender, ao menos parcialmente, os interesses dos credores ou se a proposta deverá ser descartada em razão do valor considerado baixo.
O objetivo da venda é quitar as dívidas trabalhistas deixadas pela Santa Casa de Misericórdia após o fechamento das portas. Ao todo, o débito trabalhista chega a R$ 47,3 milhões, valor significativamente superior à proposta apresentada pelo Instituto São Lucas. A Santa Casa encerrou as atividades em 2019, após décadas de funcionamento, em meio a uma grave crise financeira, deixando centenas de funcionários sem receber verbas rescisórias e outros direitos trabalhistas.



