FÁVARO X TAQUES
“Nada é impossível na política”, diz Rosa Neide ao defender diálogo para composição ao Senado em MT
Da Redação
A presidente eleita do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso, Rosa Neide, afirmou que nenhum cenário pode ser descartado na construção da chapa para a disputa ao Senado em 2026 e que o diálogo será decisivo para a definição dos nomes que irão compor o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado.
Rosa Neide reforçou que ainda não há decisão fechada nem pelo PT nem pela federação, formada atualmente por PT, PV e PCdoB, e que ninguém pode se pronunciar oficialmente em nome do grupo sem deliberação final.
“Posso falar por mim mesma. Ninguém pode falar em nome do PT ou em nome da federação sem que haja uma decisão final. Uma coisa que ficou decidida com o presidente Edinho é que quem estiver defendendo esse projeto estará no palanque do presidente Lula”, afirmou em entrevista à Rádio Cultura na manhã desta sexta-feira (16).
Ao comentar a possível disputa ao Senado, Rosa Neide destacou que o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, é hoje o principal nome defendido pela federação para uma das vagas, mas ressaltou que o debate segue aberto para a definição do segundo candidato, conforme orientação nacional.
“Está claro para todos nós que o principal nome ao Senado apoiado pela federação é o do ministro Fávaro. Agora, nós temos que ter o segundo nome. A orientação nacional é que não exista estado com apenas um candidato. Seria um equívoco de projeto votar em um nome da centro-esquerda e depois em alguém da direita”, pontuou.
Nesse contexto, a dirigente afirmou que o ex-governador e ex-senador Pedro Taques, atual presidente estadual do PSB, já colocou seu nome à disposição para a disputa. Segundo ela, o partido integra a base do governo federal e mantém alinhamento com o projeto liderado por Lula. A fala é uma resposta a fala do deputado estadual Lúdio Cabral (PT) que não crê em Taques e Fávaro no mesmo palanque.
“O ex-governador Pedro Taques é hoje presidente do PSB, que é o partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, presidido nacionalmente por João Campos, alguém muito próximo e alinhado ao presidente Lula. Portanto, nós não rejeitaremos nenhum partido da base no apoio ao presidente Lula”, declarou.
Rosa Neide também citou que há divergências internas e avaliações distintas sobre a eventual composição, mas reforçou que o debate faz parte do processo democrático. Ela lembrou ainda a defesa de parlamentares, como o deputado Lúdio Cabral, pela inclusão de mulheres na disputa ao Senado.
“Há pessoas que acham que fortalece, há pessoas que acham que não fortalece. Essa é a conversa que estamos tendo. Defendo que as mulheres também estejam nessa luta e coloquem seus nomes”, disse.
Ao ser questionada sobre o histórico de tensões políticas entre Fávaro e Pedro Taques, Rosa Neide foi enfática ao afirmar que conflitos do passado não podem ser impeditivos.
“Na política, dizer ‘dessa água eu não vou beber’ é muito forte. PT e PSB brigaram a vida inteira, e hoje estamos juntos no governo. Nada é impossível. Quem tem que vencer é o diálogo”, afirmou.
Por fim, a presidente eleita do PT destacou que exemplos em outros estados mostram que a estratégia nacional é alinhar dois votos ao campo progressista, fortalecendo o projeto político do governo federal.
“No Brasil inteiro a orientação é ter duas candidaturas fortes, para colar o voto. Eu voto em Fávaro e o segundo voto tem que ser em alguém alinhado a esse projeto. Isso ainda está em debate, e só me pronunciarei oficialmente quando a decisão estiver fechada”, concluiu.



