ASSEMBLEIA DIA 28
Mesmo com greve ilegal e multa de R$ 200 mil por dia, servidores prometem resistir e manter luta por reajuste
Da Redação
Mesmo após a greve dos servidores do Judiciário ser considerada ilegal pela Justiça, com aplicação de multa diária de R$ 200 mil e determinação de corte de ponto, o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat) ainda não descarta a continuidade do movimento. A posição foi reafirmada pelo presidente da entidade, Rosenwal Rodrigues, que anunciou a convocação de uma assembleia extraordinária para a próxima quarta-feira. Os servidores cobram reajuste de 6.8%, que foi vetado pelo governo do Estado.
Segundo Rosenwal, a categoria será chamada a avaliar os próximos passos diante da liminar concedida ao governador de Mato Grosso. “Então nós vamos levar ao conhecimento dos trabalhadores, na próxima quarta-feira, numa assembleia extraordinária que já está convocada, para decidirmos mostrar para o servidor a liminar que foi concedida para o governador do Estado de Mato Grosso, e vamos decidir se vamos resistir e continuar o movimento ou se vamos acatar a decisão e continuar o diálogo com o Tribunal de Justiça”, afirmou.
O dirigente sindical destacou, no entanto, que o diálogo com o Judiciário já ocorreu ao longo de todo o ano passado, sem avanços concretos. “Embora deixar bem claro, né, diálogo esse que tivemos todinho o ano de 2025. Você faz um diálogo de um ano e nada”.
Questionado sobre a possibilidade de a categoria desistir do reajuste de 6,8%, defendido no ano passado, Rosenwal foi categórico. “Justamente, muito bem afirmado por você. Não desistimos, não vamos desistir, vamos começar a mostrar para a sociedade quem é o Poder Judiciário, o tanto de dinheiro que existe no Poder Judiciário, para onde está indo esse dinheiro do Judiciário, aonde deveria estar sendo aplicado aos seus trabalhadores”, declarou.
Na avaliação do presidente do Sinjusmat, a situação vivida pelos servidores é injusta e desvalorizante. “Nós somos pessoas que estudamos, lutamos, frequentamos faculdades, fizemos concurso e, na hora de ser realmente bem remunerado, o Tribunal de Justiça em conjunto com o governador retira isso. É lamentável uma coisa dessa, é inaceitável desde a história do Judiciário no Mato Grosso que um governador consiga realmente mandar em todos os poderes”, criticou.
Sobre a decisão judicial que declarou a greve ilegal e fixou multa diária de R$ 200 mil, Rosenwal questionou a proporcionalidade da medida e não descartou recorrer. “Veja bem, você já pode começar pela arbitrariedade do magistrado que aplicou a decisão. O Estado vem e pede uma multa de R$10 mil reais por dia e o desembargador fala que é 200. Mas que é isso? Dois pesos e duas medidas? O senhor tem que acatar o que está na petição. Ou o senhor aceita os 10 mil ou não aceita. Agora, você querer elevar o valor é um absurdo”, afirmou.
Ele também ressaltou as particularidades enfrentadas pelos servidores do Judiciário em movimentos reivindicatórios. “Para todos os servidores entenderem, imagine como é difícil para os servidores judiciários. Nós somos a única categoria que o nosso patrão é quem dá canetada na gente. Então não tem pra onde correr. Os outros servidores vão buscar, vão parar na Justiça, podem conseguir ou não. Mas nós temos que brigar com o nosso patrão, que é o Judiciário, que dá canetada na gente. Então é lamentável”, concluiu.
Por fim, Rosenwal defendeu mudanças estruturais no sistema. “Esses valores, a nível de Brasil, têm que ser invertidos e, para isso inverter, tem que ter realmente alguém no Congresso, no Senado, que possa fazer essa mudança dentro do Poder Judiciário Brasileiro”, completou.



