Com o avanço de facções criminosas, o uso de inteligência artificial e novas formas de interferência no processo eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) afirma que está reforçando os mecanismos de fiscalização para coibir a atuação do crime organizado e outras práticas que possam comprometer a liberdade do voto.
A declaração é da presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes, que falou sobre o tema ao comentar casos registrados em eleições anteriores envolvendo políticos investigados por vínculos com organizações criminosas.
Segundo ela, o tribunal atua dentro de um modelo permanente de enfrentamento aos crimes eleitorais, que se adapta conforme surgem novas ameaças. “Cada eleição aparece um tipo de crime diferente. A sociedade muda, e os crimes também. O enfrentamento acompanha aquilo que é apresentado nos processos”, afirmou.
A magistrada destacou que Mato Grosso foi pioneiro na criação do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) no âmbito da Justiça Eleitoral, estrutura implantada em 2012 que reúne diversos órgãos para atuação conjunta durante o período eleitoral.
O grupo é formado por representantes da Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público, OAB, Secretaria de Segurança Pública, Secretaria de Justiça, além de outros setores estratégicos.
“O GGI é uma força-tarefa de enfrentamento a todos os crimes eleitorais. Envolvendo facções, uso indevido de tecnologia ou qualquer outro tipo de prática que interfira no livre exercício do voto, o tratamento é o mesmo: denúncia, apuração, encaminhamento ao Ministério Público e julgamento pela Justiça Eleitoral”, explicou.
De acordo com Serly, uma vez identificados indícios, o material é encaminhado ao Ministério Público Federal, responsável por propor a ação. O processo tramita pelo plenário do TRE, com possibilidade de recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Além das organizações criminosas, a presidente chamou atenção para o uso de inteligência artificial e ferramentas digitais como novos vetores de crimes eleitorais, especialmente na manipulação de informações e no direcionamento ilegal de conteúdo político.
“Essas práticas também podem influenciar a escolha do eleitor. Por isso, recebem o mesmo grau de atenção e responsabilidade no enfrentamento”, disse.
A magistrada ressaltou que o combate exige não apenas ação policial e jurídica, mas também estrutura tecnológica e cooperação interinstitucional, incluindo operadoras de telefonia e sistemas de monitoramento. “Não é algo simples. Envolve inteligência, resposta rápida, tecnologia e integração. É um trabalho técnico, cuidadoso e permanente”, afirmou.
Por fim, Serly Marcondes destacou que o TRE-MT atua sem “alarmismo”, mas com preparo. “Temos dificuldades, mas também temos instrumentos. O tribunal está estruturado, com gente capacitada, cooperação entre instituições e sem se intimidar diante dos novos desafios”, concluiu.



