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ALVO DA CORREGEDORIA

Esquema na delegacia: policial indicava advogados, cobrava comissão e tentou obstruir apuração

Nickolly Vilela

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O investigador da Polícia Civil Cleber Figueiredo, preso preventivamente na terça-feira (3) em Colíder (633 km de Cuiabá), é suspeito de integrar um esquema de corrupção dentro da própria delegacia, usando o cargo para indicar advogados a presos, cobrar comissões ilegais sobre honorários e interferir diretamente no andamento de investigações, segundo apontam os autos do inquérito.

De acordo com a apuração, Cleber abordava custodiados e familiares e sugeria a contratação de advogados previamente “indicados” por ele. Em troca, exigia repasses financeiros dos profissionais, inicialmente em dinheiro vivo e, posteriormente, por meio de transferências bancárias.

Os valores variavam conforme o caso e chegaram a atingir até 60% dos honorários, com relatos de pressão para que os advogados elevassem artificialmente o preço cobrado aos clientes. Em uma das situações documentadas, o investigador teria orientado uma advogada a “meter a faca” no cliente, sob a justificativa de que ele teria condições financeiras.

A investigação também indica que o policial interferia na rotina interna da delegacia, avisando previamente sobre a chegada de familiares, facilitando encontros com presos e acompanhando negociações de valores.

Mensagens obtidas pela polícia reforçam o padrão de atuação, com orientações para exigir pagamentos antecipados, “assustar” clientes e amarrar honorários por meio de depósitos ou transferência de bens.

Testemunhas relataram ter visto conversas abertas no computador da unidade policial, com negociação direta de honorários enquanto presos aguardavam atendimento.

Quando o esquema começou a ser descoberto, Cleber teria tentado obstruir a apuração. Segundo a decisão judicial, ele procurou a advogada envolvida para alinhar versões, sugeriu a troca de celulares, pediu a exclusão de mensagens e orientou a emissão de recibos falsos para dar aparência de legalidade às transferências.

Em outro trecho, ainda teria insinuado que, caso alguém “caísse”, outros também seriam envolvidos, sugerindo que o esquema poderia ter ramificações dentro da própria instituição.

Com base nesses elementos, a magistrada Laura Dorilêo Cândido, juíza de Direito do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Sinop, concluiu haver risco concreto à instrução criminal, especialmente em razão da função exercida pelo investigado e de sua capacidade de interferir na produção de provas.

Além da prisão preventiva, a Justiça autorizou buscas e apreensões, bem como a quebra de sigilos bancário e telemático, para mapear a extensão dos fatos e identificar outros possíveis participantes e vítimas.

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