ARBOVIROSES
Casos de Dengue caem quase 90% e Chikungunya despenca 99% em Cuiabá
Kamila Araújo
A queda abrupta nos casos de Dengue e Chikungunya em Cuiabá em 2026 marca uma virada no enfrentamento às arboviroses na capital. Em apenas um ano, a cidade saiu de um cenário crítico para reduções que chegam a quase 90% na Dengue e mais de 99% na Chikungunya, segundo dados dos boletins epidemiológicos divulgados pela Prefeitura de Cuiabá.
Os números mostram a dimensão dessa retração. A Dengue, que em 2025 registrava média semanal de 198,5 casos, caiu para 22,5 casos por semana em 2026, uma redução aproximada de 88,7%. Até a quarta semana epidemiológica deste ano, foram 90 notificações e 49 confirmações, contra centenas de registros no mesmo período do ano anterior.
A queda é ainda mais expressiva na Chikungunya. A média semanal despencou de 421,5 casos em 2025 para apenas 3,5 em 2026, o que representa uma redução superior a 99%. No acumulado das quatro primeiras semanas, foram 14 notificações e 12 confirmações, frente a um cenário que, no ano passado, já somava milhares de casos logo no início do período chuvoso. A Zika, por sua vez, teve apenas uma notificação, sem confirmação.
O contraste fica mais evidente quando se observa o início de 2025. Naquele ano, a capital viveu um dos momentos mais graves da série recente. A Chikungunya teve aumento superior a 6.500%, saltando de uma média semanal de 5 casos em 2024 para 305 em 2025. Somente na quarta semana epidemiológica, entre 19 e 25 de janeiro, foram 605 registros em sete dias, além da confirmação de quatro mortes e outro óbito em investigação. A Dengue também avançou, com crescimento de 386%, ao sair de 34 para cerca de 167 casos semanais.
Até a quinta semana epidemiológica de 2025, Cuiabá acumulava 836 notificações e 669 confirmações de Dengue, além de 1.527 notificações e 1.471 confirmações de Chikungunya. Em 2026, apesar da forte queda, o município mantém vigilância, já que há um óbito por Dengue sob investigação, e 12 novos casos foram registrados apenas na quarta semana deste ano.
As ações de campo acompanham essa mudança de cenário. Em 2026, as equipes já vistoriaram mais de 72 mil imóveis, realizaram tratamento em 8.393 residências e eliminaram 3.025 depósitos com focos do mosquito, número superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram eliminados cerca de 2 mil focos após vistorias em mais de 90 mil imóveis ao longo do ano.
A Secretaria Municipal de Saúde atribui a redução ao reforço das ações de combate ao Aedes aegypti e à maior participação da população, com foco na eliminação de criadouros, busca precoce por atendimento médico e vacinação contra a Dengue para crianças de 10 a 14 anos.
Mesmo com os indicadores em queda acentuada, a avaliação é de cautela. As autoridades reforçam que o combate às arboviroses é permanente e que a manutenção dos números baixos depende da vigilância contínua e do engajamento da comunidade, sobretudo durante o período chuvoso, quando o risco de novos surtos volta a aumentar.



