O secretário municipal de Trabalho de Cuiabá, Willian Leite de Campos, publicou uma nota oficial em suas redes sociais na noite desta sexta-feira (06) anunciando que pediu exoneração do cargo. No comunicado, ele afirma que decidiu deixar a função para preservar a família, a dignidade e tentar encerrar ataques que, segundo ele, ocorreram sem provas.
Na nota, Willian afirma que todas as denúncias envolvendo seu nome foram analisadas pelos órgãos competentes e destaca que o Ministério Público de Mato Grosso indeferiu a abertura de investigação por inexistência de indícios mínimos de irregularidade. Ele também cita que a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), da Polícia Civil, analisou o caso e determinou o arquivamento do expediente por ausência de fatos concretos, individualização de condutas ou elementos que justificassem apuração.
O agora ex-secretário agradeceu ao prefeito Abilio Brunini e ao secretário de Governo, Ananias Filho, pela oportunidade de integrar a gestão municipal e afirmou que sai “de cabeça erguida, com a consciência limpa”.
Willian também declarou que sua imagem passou a ser utilizada em ataques de natureza política, especialmente diante do debate sobre a construção de sua pré-candidatura a deputado federal.
Arquivamentos e decisões dos órgãos de controle
A nota foi publicada após a Polícia Civil arquivar o pedido de investigação apresentado pelo prefeito Abilio Brunini contra o secretário. A decisão foi tomada após análise técnica que concluiu pela ausência de justa causa e de elementos mínimos que sustentassem a instauração de procedimento investigativo.
O pedido havia sido formalizado no início de janeiro de 2026 pelo próprio prefeito, que solicitou a apuração de denúncias genéricas e chegou a autorizar o acesso a seus dados fiscais e bancários, alegando a necessidade de preservar a estabilidade institucional e afastar danos reputacionais.
Após tramitação interna, o caso foi analisado pela Deccor. Em despacho de 29 de janeiro de 2026, o delegado responsável apontou que não foram encontrados procedimentos investigativos em nome do secretário e que o requerimento não apresentava fatos concretos nem indícios mínimos de materialidade ou autoria.
O arquivamento foi formalizado em ofício assinado em 3 de fevereiro pela delegada-geral da Polícia Judiciária Civil, Daniela Silveira Maidel, que registrou a ausência de justa causa para prosseguimento do caso.
O Ministério Público de Mato Grosso já havia tomado decisão semelhante no fim de janeiro, ao indeferir pedido de investigação por entender que não havia prova ou indício de crime, improbidade administrativa ou lesão ao patrimônio público. O órgão também considerou que o requerimento tratava predominantemente de questão de natureza individual e reputacional, sem elementos suficientes para abertura de procedimento.
CPI proposta e reação do prefeito
Mesmo após as decisões, o vereador Daniel Monteiro (Republicanos) protocolou, na última terça-feira (03), um requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar as denúncias envolvendo o secretário.
Nesta sexta-feira (06), o prefeito Abilio Brunini criticou duramente a iniciativa e afirmou que o pedido não apresenta fato determinado, provas ou objeto claro de investigação.
“Eu admiro muito todos que têm a proatividade de fazer um pedido de CPI. Só que não pode ser feito com amadorismo. Aquele pedido não tem fato determinado, não tem anexo de nenhuma prova, não tem anexo de nenhum motivo”, declarou o prefeito.



