DEFESA AGRÍCOLA
Produtores recorrem a arbitragem técnica para evitar perdas na entrega da produção
Kamila Araújo
No pico da colheita, a disputa pela classificação dos grãos virou um dos principais pontos de tensão entre produtores e armazéns em Mato Grosso. Divergências nos laudos técnicos, quando não questionadas, podem gerar descontos expressivos e prejuízos imediatos. É nesse contexto que cresce a demanda pelo Classificador Legal, serviço mantido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso para conferir as análises e reduzir conflitos na comercialização de soja e milho.
Em 2025, o programa realizou mais de 1,7 mil atendimentos no estado, número que revela a dimensão do problema enfrentado no dia a dia das entregas. A procura aumenta justamente quando o volume de cargas se intensifica e as decisões de classificação passam a ter impacto direto no resultado financeiro da safra.
Segundo o vice-presidente oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo, o serviço funciona como um ponto de equilíbrio em um momento sensível da cadeia. “Tanto as empresas quanto os produtores sabem que o classificador da Aprosoja tem conhecimento técnico e experiência, o que faz com que, na maioria dos casos, não haja contestação sobre o resultado. A classificação é respeitada por todas as partes, o que traz equilíbrio ao mercado, evita conflitos e dá ao produtor a segurança de que não está sendo lesado e que seu produto está sendo avaliado corretamente”, afirmou.
Para ele, o volume de atendimentos registrado no último ano não é casual e indica a necessidade de ampliar a estrutura do programa. “Pelos números, já é possível perceber a importância desse programa. O fortalecimento acontece de forma natural, e a Aprosoja MT tem essa preocupação, investindo continuamente na formação e na ampliação do quadro de classificadores para atender um número cada vez maior de produtores”, disse.
Na prática, o impacto da classificação pode ser decisivo. O produtor Charlles Hoffman, do núcleo de Cláudia, relata que acionou o Classificador Legal após desconfiar dos critérios adotados por um armazém durante a entrega da soja. “Esse ano iniciamos a colheita da soja, porém, no armazém, quando fomos fazer a entrega da nossa carga, nos sentimos um pouco lesados, e isso nos motivou a chamar o classificador”, contou.
Com a verificação independente, Charlles afirma ter evitado perdas que poderiam chegar a 15% em apenas um dia de entrega, valor que, segundo ele, comprometeria seriamente o resultado da safra. “Eu posso dizer que seria um prejuízo bem significativo em um único dia de entrega nesse armazém. Por isso, recomendo a todos os produtores que, quando sentirem que a classificação está muito abusiva, chamem o classificador legal, liguem para o Canal do Produtor, abram uma ordem de serviço e não esperem”, afirmou.



