EM CUIABÁ
Após afastamento pelo CRO, clínica de dentista polêmico é alvo de operação por exercício ilegal de profissões
Kamila Araújo
Uma operação integrada de fiscalização flagrou exercício ilegal de profissões regulamentadas em uma clínica odontológica no bairro Jardim Cuiabá, na capital. A ação reuniu Polícia Civil de Mato Grosso, Vigilância Sanitária Municipal, Procon Municipal, Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso e Conselho Regional de Nutrição de Mato Grosso e teve como alvo a clínica Rizzit, de propriedade do cirurgião-dentista Pedro Gonçalves de Souza Junior.
Conduzida por equipes da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor, a fiscalização apurou denúncias sobre irregularidades no funcionamento do estabelecimento. Durante a vistoria, foram identificadas duas pessoas atuando como auxiliares de prótese dentária sem formação técnica, sem registro em conselho profissional e sem supervisão de responsável técnico, em desacordo com a legislação que rege a atividade odontológica.
A clínica já estava no radar da Polícia Civil desde o fim de janeiro, após relatos de que o proprietário exerceria, de forma irregular, atividades privativas da Nutrição, sem a formação exigida. Além disso, o dentista responde a procedimento instaurado em 2023, também pela Decon, quando uma estudante foi flagrada atendendo como cirurgiã-dentista antes de concluir o curso superior.
As investigações continuam e, nos próximos dias, os autos devem ser concluídos e encaminhados ao Judiciário para adoção das medidas legais cabíveis. Para o delegado Rogério Ferreira, a atuação conjunta é decisiva: “Ações integradas entre forças de fiscalização e conselhos profissionais são fundamentais para combater o exercício ilegal de profissões, garantir a segurança dos consumidores e assegurar que os serviços de saúde sejam prestados exclusivamente por profissionais devidamente habilitados”.
O caso ocorre dias após o CRO-MT determinar a suspensão cautelar do exercício profissional de Pedro Junior por 30 dias e instaurar processo ético-disciplinar. Segundo o conselho, ele é investigado por oferecer orientações de emagrecimento e nutrição por meio de plataforma digital, além de publicações depreciativas contra outras categorias da saúde.
O acompanhamento também envolve o CRN, que reforçou que o dentista não possui habilitação nem registro para atuar na área de Nutrição. A oferta de orientações nutricionais sem formação específica, segundo o conselho, configura exercício ilegal da profissão, com possíveis consequências administrativas e penais.



