RISCOS À SAÚDE
Falsificação de medicamentos oncológicos acende alerta vermelho e reforça a necessidade de rigor sanitário na importação
Da Redação
O mercado ilegal de medicamentos no Brasil atingiu um patamar crítico, colocando em risco direto a vida de milhares de pacientes. Dados recentes do Conselho Federal de Farmácia (CFF) revelam que medicamentos vitais para o combate ao câncer, como o Keytruda e o Opdivo, lideram a lista de produtos falsificados no país em 2026. Este cenário de insegurança ganhou contornos trágicos com a recente repercussão do “Caso Yasmin”, a menina diagnosticada com neuroblastoma que perdeu a vida após sua família, em um momento de desespero, recorrer a uma empresa desqualificada para a compra do tratamento.
O episódio, que culminou na prisão dos responsáveis, expôs as vísceras de um mercado que ignora a ética em favor do lucro: a medicação entregue à Yasmin tinha origem duvidosa, nenhuma comprovação de qualidade e foi fornecida em quantidade inferior à contratada, eliminando qualquer chance de recuperação da criança que sonhava em voltar a andar a cavalo.
A tragédia de Yasmin é um lembrete doloroso de que o setor farmacêutico não comporta amadorismo ou falta de escrúpulos. Importar um medicamento de alta complexidade exige uma estrutura técnica rigorosa, pautada pela conformidade absoluta às regras da ANVISA e às normas da RDC nº 430/2020. É neste cenário de urgência por segurança que a atuação de empresas certificadas se torna a única barreira real entre o tratamento eficaz e o risco fatal.
Para Fernanda Roberto, CEO da World Medic, empresa referência em assessoria de importação e logística internacional de medicamentos, a segurança do paciente deve ser o pilar inegociável de qualquer operação. “A saúde não permite atalhos. Quando uma família ou instituição busca um medicamento de alta complexidade, ela está depositando sua última esperança em um frasco. Por isso, na World Medic, a conformidade com os padrões da ANVISA e a certificação rigorosa de nossos parceiros são inegociáveis. O preço nunca pode ser colocado acima da segurança; nosso compromisso é garantir que o tratamento chegue com integridade total, pois entendemos que, por trás de cada processo, existe uma vida que não pode esperar e nem ser colocada em risco por amadorismo ou falta de ética”, destaca a executiva.
Para evitar novas tragédias, órgãos de saúde e especialistas reforçam que a qualificação do fornecedor deve ser o primeiro passo de qualquer aquisição. É indispensável checar o CNPJ, a Licença Sanitária (VISA local) vigente e garantir que o produto seja adquirido exclusivamente de empresas autorizadas, mantendo a rastreabilidade total do lote e da validade conforme exigido pelas normas sanitárias.
O caso Yasmin prova que o “menor preço” oferecido por empresas sem certificação pode custar o que há de mais valioso. O combate à pirataria farmacêutica exige uma postura ativa da sociedade: ao paciente, cabe o direito de exigir informações completas sobre o registro do fármaco, e aos órgãos envolvidos, o dever de fortalecer a fiscalização e o apoio ao trabalho da ANVISA. Denúncias de irregularidades podem ser feitas anonimamente pelo Disque Saúde 136, garantindo que a justiça e a ciência caminhem juntas para que a vida nunca mais seja tratada como uma mercadoria comum.



