VÍTIMA TINHA MEDIDA PROTETIVA
Após feminicídio de professora, vereadora cobra políticas e diz que “indignação não basta”
Muvuca Popular
A vereadora por Cuiabá, Maysa Leão (Republicanos), manifestou pesar e revolta diante do feminicídio da professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, ocorrido na madrugada de segunda-feira (16), no bairro Osmar Cabral.
Luciene integrava a rede municipal de ensino desde 2009 e atuava na Escola Municipal Constança Palma Bem Bem como cuidadora de aluno com deficiência (CAD). Ela possuía medida protetiva contra o ex-marido, que não aceitava o fim do relacionamento. Conforme as informações apuradas, o homem invadiu a residência da vítima durante a madrugada e efetuou disparos de arma de fogo. Após o crime, o suspeito morreu durante perseguição realizada por um policial à paisana.
Para a parlamentar, o caso escancara falhas estruturais no enfrentamento à violência contra a mulher.
“Não se trata apenas de mais um crime isolado. É a prova de que mulheres continuam sem escolha real em uma sociedade ainda marcada pelo machismo. A morte do agressor não devolve a vida da professora Luciene nem resolve o problema”, declarou.
Maysa destacou que, embora a legislação tenha avançado no combate ao feminicídio, a redução dos índices depende da efetiva implementação de políticas públicas por estados e municípios. Entre as medidas defendidas estão a aplicação da Lei nº 14.164/2021, com inclusão do debate sobre a Lei Maria da Penha nas escolas; ampliação de centros especializados de atendimento à mulher, como a Casa da Mulher Brasileira; fortalecimento das casas de acolhimento; programas de autonomia econômica para vítimas; criação de rede sentinela de atendimento emergencial; acompanhamento psicológico contínuo; ampliação de delegacias especializadas com funcionamento 24 horas; e reforço da Patrulha Maria da Penha.
“O enfrentamento ao feminicídio exige orçamento, investimento e compromisso. O poder público não pode apenas se indignar em notas oficiais. É preciso agir”, afirmou.
A vereadora informou que continuará cobrando providências e ações concretas para garantir a proteção das mulheres em Cuiabá e em Mato Grosso. Ao final, prestou solidariedade à família, amigos e à comunidade escolar.
“Luciene era educadora, cuidadora e servidora pública. Uma vida interrompida pela violência. Seguiremos lutando para que nenhuma mulher perca o direito de viver livre”, concluiu.



