SEMINÁRIO MATO-GROSSENSE DE RÁDIO
Especialistas analisam riscos e oportunidades da IA no rádio em evento em MT
Muvuca Popular
O impacto da IA (Inteligência Artificial) no rádio será um dos temas abordados no VI Seminário Mato-grossense de Rádio, evento que tem o objetivo de fortalecer o rádio como meio de divulgação de informações, cultura e entretenimento e avaliar o papel do rádio diante das novas mídias.
Em 2026, o Seminário volta a ser realizada depois de 11 anos, em duas cidades, no dia 27 de março, em Barra do Garças – visando atender o público da Região do Araguaia – e nos dias 09 e 10 de abril em Cuiabá. A programação incluí palestras regionais e nacionais, oficinas práticas, mesas redondas e apresentações culturais.
Em uma das palestras, especialistas em IA vão analisar os benefícios e os possíveis prejuízos da tecnologia na produção radiofônica. No dia 10 de abril, em Cuiabá, a mesa redonda que terá como tema “A Inteligência Artificial contribui ou prejudica o Rádio”, será conduzida pelo professor-doutor em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Hélder Lima, e pelo especialista em IA na mídia, Gelson Pandolfo.
Entre os temores do uso da Inteligência Artificial no rádio está a substituição de profissionais – técnicos e locutores – por programas de IA. Entre as vantagens está o aprimoramento e a melhoria no processo de produção radiofônica.
“Os profissionais precisam entender que a IA é uma tecnologia aliada no processo de produção de conteúdo no rádio e em qualquer outro veículo de mídia. A Inteligência Artificial jamais substituirá o trabalho humano, e as ferramentas ajudam a otimizar as tarefas diárias, porém não podem ser usados sem o devido controle e rigor editorial”, explica o professor-doutor Hélder Lima, que realiza uma ampla pesquisa sobre o uso a IA no rádio.
Distanciamento do ouvinte
Hélder aponta que o uso excessivo na Inteligência Artificial no Rádio, até como forma de economia em áreas como recursos humanos, pode ter o efeito de afastar o ouvinte.
“O rádio sempre foi um veículo de proximidade, de espontaneidade, de estabelecimento de laços de afetividade e as emissoras precisam entender que a tecnologia melhora fluxos, mas não pode substituir o locutor humano, que dá identidade e vida à programação. A automação da programação com programas gerados exclusivamente por IA e a interação com ouvintes por meio dessa tecnologia, pode resultar num cenário de distanciamento entre emissora e ouvintes”, aponta o professor.
A pesquisa conduzida por Hélder Lima mostra que, atualmente no Brasil, a Inteligência Artificial tem sido utilizada nas rotinas produtivas das emissoras. As rádios priorizam o uso de ferramentas de IA em atividades operacionais, como apoio à redação na transcrição de entrevistas, revisão e edição de textos; automação da programação com programas gerados exclusivamente por IA, edição de áudio, locução virtual com a clonagem de vozes de locutores e jornalistas da própria emissora ou mesmo o uso de vozes sintéticas criadas por IA.
“Os profissionais do rádio ou de outras profissões só irão perder seus postos de trabalho para a tecnologia se não se adaptarem a elas. Aqueles que se ajustarem a usar as novas tecnologias não terão seu trabalho ameaçado”, afirma o também especialista em Inteligência Artificial, Gelson Pandolfo, que mantem uma emissora de rádio em Sinop (481 km de Cuiabá).
Pandolfo reforça que a IA pode gerar excelentes oportunidades de trabalho para os profissionais e técnicos que souberem a forma adequada de utilizar a ferramenta, com recursos de programação e informação que não seriam possíveis sem a IA.
O professor-doutor Hélder Lima e o especialista Gelson Pandolfo estarão em Cuiabá, no dia 10 de abril, participando do Seminário, como integrantes da mesa redonda que terá como tema “A Inteligência Artificial contribui ou prejudica o Rádio”.
VI Seminário Mato-grossense de Rádio
O Seminário Mato-grossense de Rádio chega a sua sexta edição com o tema “Metaformose – O Rádio supera os 100 anos no Brasil mais atual do que nunca”. O evento é aberto e voltado para profissionais que atuam em emissoras de rádio, técnicos, radialistas, locutores, jornalistas e estudantes de comunicação.
Organizado pelo Mutirum Instituto, o Seminário conta com o apoio da Sedec-MT (Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso) e da Assembleia Legislativa, por meio de emenda do deputado Lúdio Cabral (PT).
Entre os meios de comunicação, o rádio continua a ser o que atinge as maiores audiências, continuando a adaptar-se às novas tecnologias e aos novos equipamentos, funcionando como uma ferramenta de apoio ao debate e comunicação, na promoção cultural ou em casos de emergência social. Pesquisas indicam que 79% da população brasileira ouvem rádio, em média, 3h55m por dia.
O VI Seminário Mato-grossense de Rádio será realizado no auditório do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MT), parceiro do evento.
Histórico
O primeiro Seminário Mato-grossense de Rádio foi realizado, em Cuiabá, em 2011, com edições sendo organizadas em todos os anos seguintes até 2015, quando aconteceu a última.
Rádio em MT
Mato Grosso tem, atualmente, aproximadamente 300 emissoras de rádio, sendo 104 delas como rádios comunitárias oficialmente cadastradas, atingindo um público de 3,1 milhões de ouvintes e envolvendo o trabalho de cerca de quatro mil profissionais.



