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CUIDADO REDOBRADO

Cuiabá entra em alerta máximo: 70% dos bairros têm alto risco para dengue

Kamila Araújo

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Cuiabá voltou a acender o sinal vermelho para as arboviroses. O primeiro Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) de 2026 classificou o município em alto risco para transmissão de dengue, chikungunya e outras doenças provocadas pelo mosquito.

O índice geral de infestação predial (IIP) ficou em 5,5%, patamar considerado elevado pelo Ministério da Saúde. O número indica o percentual de imóveis com focos do Aedes aegypti e coloca a Capital em situação de alerta máximo, segundo o informativo divulgado pelo Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS).

O levantamento foi realizado entre os dias 26 e 30 de janeiro, com inspeção em 11.271 imóveis, distribuídos em 27 estratos.

Dos agrupamentos analisados:

  • 19 (70,37%) apresentaram alto risco, com IIP acima de 3,9;
  • 8 (29,63%) ficaram em médio risco, com índice entre 1,0 e 3,9;
  • Nenhum estrato foi classificado como baixo risco.

Em algumas regiões, os índices foram ainda mais preocupantes, variando entre 2,2 e 15,6.

Distritos da Guia e Sucuri lideram infestação

Entre os locais com maior incidência estão o Distrito da Guia e o Sucuri, na região Oeste, que registraram IIP de 15,6, o maior do município.

Na região Norte, os estratos 26 e 21 também apresentaram índices elevados, com IIP de 9,2 e 9, respectivamente, abrangendo bairros como Nova Canaã (1ª, 2ª e 3ª etapas), Três Barras, Residencial Paiaguás, Bosque dos Ipês, Jardim Florianópolis, Três Poderes, Centro Político Administrativo, entre outros.

O mapa de análise espacial incluído no alerta mostra predominância de áreas classificadas em vermelho, indicando alto risco concentrado principalmente na região Leste e nos distritos mencionados.

Caixa d’água no chão e lixo são principais focos

O levantamento também detalhou os principais tipos de criadouros encontrados.

A maior parte dos focos (40,5%) está em depósitos de água ao nível do solo, como barris e caixas d’água destampadas.

Em seguida aparecem:

  • 23,1% em lixo urbano (garrafas, latas e sucatas);
  • 22,1% em depósitos móveis, como vasos e bebedouros;
  • 8,5% em pneus;
  • 5,4% em depósitos fixos, como calhas e tanques.

O dado revela que o problema está, majoritariamente, dentro dos próprios imóveis e depende de ação direta dos moradores.

Casos confirmados caíram, mas risco permanece

Apesar do cenário de infestação elevado, o boletim epidemiológico aponta redução de casos em comparação com o mesmo período de 2025.

Até a 6ª Semana Epidemiológica deste ano foram confirmados:

  • 77 casos de dengue;
  • 31 casos de chikungunya;
  • Nenhum óbito confirmado até o momento, embora uma morte por dengue esteja sob investigação.

Ainda assim, o CIEVS alerta que o alto índice de infestação pode favorecer uma nova emergência em saúde pública caso não haja intensificação das medidas de prevenção.

Vigilância permanente

O alerta destaca a necessidade de mobilização conjunta entre poder público, setor privado e população. A orientação é eliminar qualquer recipiente que acumule água parada, reforçar a vedação de caixas d’água e descartar corretamente resíduos sólidos.

Segundo o CIEVS, a ampla distribuição do vetor no território municipal exige vigilância contínua para evitar surtos e epidemias.

A Secretaria Municipal de Saúde disponibiliza canal direto do CIEVS para orientações e denúncias, reforçando que o combate ao mosquito começa dentro de casa.

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