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OPERAÇÃO SHOWDOWN

Viagens para Dubai e Maldivas, Dodge Ram de R$ 415 mil e ‘vida de influencer’ entraram na mira da Polícia

Muvuca Popular

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A ostentação de viagens internacionais, caminhonetes de luxo e uma rotina digna de influenciadora digital colocou uma jovem de 19 anos no centro de uma investigação da Polícia Civil que apura lavagem de dinheiro e atuação de uma facção criminosa no norte de Mato Grosso. A investigação resultou na deflagração da Operação Showdown na última quinta-feira (5), com cumprimento de mandados judiciais nas cidades de Alta Floresta e Nova Bandeirantes.

As ordens foram expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop e incluíram mandados de prisão, busca e apreensão, sequestro de veículos, bloqueio de contas bancárias, apreensão de bens móveis e suspensão de atividades de empresas ligadas ao grupo investigado.

O que chamou atenção dos investigadores foi a vida de luxo exibida nas redes sociais pela filha de uma mulher apontada como líder de uma facção criminosa. Mesmo com a mãe foragida, as apurações indicam que ela continuaria atuando no crime por meio de familiares.

Nas redes sociais, a jovem se apresentava como empresária e influenciadora digital. Ao lado do marido, acumulava mais de 40 mil seguidores no Instagram e publicava fotos e vídeos exibindo um padrão de vida considerado incompatível com qualquer renda declarada.

Entre as postagens estavam registros de viagens internacionais para destinos considerados de alto luxo, como Suíça, Dubai, Ilhas Maldivas e Caribe. Além disso, o casal também ostentava veículos de alto valor, incluindo uma Dodge Ram 3500 Laramie 2024, avaliada em mais de R$ 415 mil, além de uma Toyota Hilux e uma GM S10. Somados, os veículos ultrapassam meio milhão de reais em patrimônio.

As investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e pela Delegacia de Alta Floresta apontam que a jovem teria papel importante na movimentação financeira do grupo criminoso, atuando na lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e plataformas de apostas online.

Segundo os investigadores, o padrão de vida elevado contrastava com a realidade profissional do casal, já que nenhum dos dois possuía ocupação formal que justificasse a ostentação exibida nas redes.

Outro ponto que chamou atenção da polícia foi a rápida mudança no padrão de vida. Publicações antigas mostram uma realidade bem mais simples. Em 2023, por exemplo, o marido da jovem comemorava nas redes sociais a compra de uma motocicleta de baixo valor. Pouco tempo depois, passou a aparecer dirigindo caminhonetes de luxo.

A investigação também identificou que a jovem possui pelo menos duas empresas registradas em Alta Floresta, uma loja de calçados e um estúdio de beleza. No entanto, segundo a Polícia Civil, os estabelecimentos apresentam baixa movimentação de clientes, levantando suspeitas de que os negócios seriam utilizados para dar aparência legal ao dinheiro proveniente do tráfico.

Outro mecanismo utilizado para ocultar a origem dos recursos, segundo a investigação, seria o uso de plataformas digitais de apostas e jogos de azar, como os chamados “slots” e o popular “jogo do tigrinho”. Nas redes sociais, a jovem se apresentava como jogadora e promotora dessas plataformas, divulgando supostos ganhos.

De acordo com a Polícia Civil, esse tipo de sistema seria utilizado para inserir valores provenientes de atividades criminosas e posteriormente apresentar o dinheiro como se fosse resultado de ganhos em apostas online, prática considerada típica em esquemas de lavagem de dinheiro.

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