VIOLÊNCIA
Com 2,88 mortes por 100 mil mulheres, MT tem 3ª maior taxa de feminicídio do Brasil
Thalyta Amaral
Em 2025, Mato Grosso foi o terceiro estado com maior taxa de feminicídios no país. De acordo com levantamento divulgado pela plataforma Brasil em Mapas, com base em dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o estado registrou 2,88 mortes por 100 mil mulheres adultas.
O número coloca Mato Grosso atrás apenas do Acre, que lidera o ranking nacional com taxa de 3,37, e de Rondônia, com 3,17 casos por 100 mil mulheres. No total, o estado contabilizou 53 vítimas de feminicídio ao longo de 2025, segundo os dados compilados no estudo.
No Brasil, o ano terminou com 1.568 mulheres assassinadas por feminicídio, o que representa uma média de uma vítima a cada cinco horas. A taxa nacional ficou em 1,59 mortes por 100 mil mulheres adultas, quase metade da registrada em Mato Grosso.
O infográfico produzido pelo Brasil em Mapas mostra que os maiores índices de feminicídio se concentram principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde os riscos relativos de morte para mulheres são mais elevados.
Enquanto estados como Amazonas (1,02), Ceará (1,10) e São Paulo (1,26) apresentam taxas menores, Mato Grosso aparece em um grupo de unidades da federação com índices acima da média nacional.
Mesmo com números absolutos menores do que estados mais populosos, a taxa proporcional traz preocupação. Em comparação, São Paulo registrou 270 casos em 2025, o maior número absoluto do país, mas com uma taxa proporcional menor devido ao tamanho da população feminina.
Os dados revelam que, mesmo uma década após a criação da Lei do Feminicídio, sancionada em 2015, o país ainda enfrenta dificuldades para reduzir esse tipo de crime.
Naquele primeiro ano da tipificação legal, foram registrados 449 casos no Brasil. Em 2025, o total chegou a 1.568 mortes, um aumento de 249% ao longo da década.
O percentual de feminicídios dentro do total de homicídios de mulheres também cresceu significativamente. Em 2015, representava 9,4% dos assassinatos femininos. Dez anos depois, passou para 41,2%, evidenciando o peso da violência motivada por gênero no país.



