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OPERAÇÃO CONDOR

Mel Lisboa vive jornalista que investiga a ditadura militar em novo filme

Terra

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Quando se fala da ditadura militar brasileira no cinema, muitos filmes retratam os horrores do período, como as torturas, as perseguições, os mortos e desaparecidos, mas o diretor André Sturm quis dar um novo enfoque para o tema no filme Operação Condor, longa-metragem protagonizado por Mel Lisboa que estreia no próximo dia 9, e mostrar como muitos dos brasileiros que viveram aquele período não tinham noção do que estava acontecendo no país.

Em entrevista ao Terra, Sturm conta que teve a ideia de fazer esse filme quando descobriu que os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart morreram com um intervalo de 100 dias de diferença em situações consideradas suspeitas e questionadas até hoje.

“Percebi que ali tinha uma história. Poderia falar do Brasil e de fatos que as pessoas, por incrível que pareça, não conhecem. Ao mesmo tempo, posso fazer um filme divertido com uma trama que tem reviravoltas”, diz o diretor, que se uniu ao escritor e roteirista Victor Bonini, conhecido pelos romances policiais, para escrever o roteiro.

O filme Operação Condor leva o nome da aliança formada entre ditaduras da América do Sul com apoio dos Estados Unidos para coordenar ações de repressão clandestinas. A história gira em torno de Silvana, personagem de Mel Lisboa, uma jornalista de fofocas desiludida com a profissão que se pega no meio de uma investigação sobre a morte dos ex-presidentes e começa a se questionar sobre os problemas da ditadura e como o governo militar impactava a vida dela.

Mel conta que, antes do convite para protagonizar o filme, não sabia dos questionamentos sobre as mortes de Jango e JK e relembra que se animou com a oportunidade de contar essa história e abordar um período importante para a história do Brasil no cinema.

“Existe uma história fictícia ali, a própria Silvana é uma personagem fictícia, mas a gente pode olhar para nós mesmos, olhar para nossa história, olhar o que nos formou, o que nos trouxe até aqui e as consequências de tudo isso. É muito importante retratar esse período, retratar isso que aconteceu, levantar questionamentos, fazer com que as pessoas eventualmente pesquisem, se interessem pelo assunto. Isso também é papel do artista”, diz a atriz.

Uma das ideias centrais de André Sturm ao conceber o filme era mostrar que “não existe uma pessoa má, existem forças muito além do que a gente possa imaginar”. Por isso, o diretor escolheu não incluir um vilão no filme como um militar, pois não queria associar o mal daquele período apenas a um indivíduo, mas mostrar que “esse esquema de poder está muito além de uma pessoa ou outra.”

Além disso, a intenção do diretor era retratar como a ditadura fez boa parte da população ficar alheia ao que estava acontecendo no Brasil. “Quando os mais jovens falam da ditadura, eles acham que as pessoas andavam com medo na rua. Eu era jovem na segunda metade dos anos 70. Se você não fosse uma pessoa muito envolvida, você não saberia que tinha uma ditadura no Brasil. Por isso, a protagonista é uma jornalista de celebridades. Ela não era nem a favor nem contra o governo, era desinteressada. Esse era o problema. A ditadura fazia com que as pessoas ficassem apolíticas. Queria mostrar uma pessoa apolítica que achava que não era com ela, mas que, na hora que ela percebe que está sendo feita de idiota, fala: ‘Como assim? Vocês sempre me disseram que tudo era certo. Agora, vou apurar a verdade’.”

O roteirista de Operação Condor, Victor Bonini, nasceu após o fim da ditadura e concorda que é possível aprender sobre o período por meio do cinema. “A arte é uma forma de entendermos esse passado. Quase como um demônio que a gente vai exorcizar. Nasci quando a ditadura já tinha acabado e cresci com essa ideia de um mundo global. Estudei a ditadura na escola, mas nunca vi isso acontecer. Colocar isso em uma tela de cinema ou em um livro é ter acesso à vida das pessoas daquela época. Quando você se coloca nesses lugares humanos, você entende o que foi a ditadura militar.”

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