NO MORADA DO OURO
Clientes acionam Justiça após academia fechar as portas sem aviso em Cuiabá
Thalyta Amaral
Clientes da Academia Hardcore, localizada no bairro Morada do Ouro, em Cuiabá, recorreram à Justiça após o fechamento da unidade sem aviso prévio, ocorrido em março de 2026, deixando consumidores com planos ativos e sem acesso ao serviço contratado.
Os casos tramitam no Juizado Especial Cível de Cuiabá e descrevem situações semelhantes: alunos que pagaram antecipadamente por planos, anual e semestral, e afirmam que foram surpreendidos ao encontrar o local fechado, sem qualquer comunicação formal sobre encerramento das atividades ou orientação sobre reembolsos.
Em uma das ações, o cliente relata que adquiriu um plano anual no segundo semestre de 2025, por R$ 1.320, e frequentou a academia por cerca de três meses até o fechamento. Já em outro processo, uma consumidora afirma ter contratado um plano semestral no início de 2026, no valor de R$ 750, utilizando o serviço por aproximadamente um mês antes da interrupção. Em ambos os casos, os autores atestam que não houve devolução proporcional dos valores pagos.
Como alternativa, a empresa teria oferecido a transferência dos planos para outra academia, que não faz parte da rede. A proposta, no entanto, é contestada pelos clientes, que apontam que o novo endereço fica a cerca de 10 quilômetros da unidade original, o que inviabilizaria a continuidade do uso do serviço nas mesmas condições contratadas.
Em defesa, a empresa sustenta que tentou solucionar a situação e que a oferta de migração para outro estabelecimento seria suficiente para garantir a continuidade do serviço. Argumenta ainda que não houve má-fé e que o caso se trata de descumprimento contratual, sem configuração automática de dano moral.
Os autores pedem a rescisão dos contratos, devolução proporcional dos valores pagos e indenização por danos morais, com pedidos que chegam a R$ 5 mil. O proprietário da academia, identificado nos autos como F. V. C., também é citado nas ações, já que os pagamentos teriam sido realizados diretamente ao CPF dele.
Os casos ainda aguardam análise da Justiça e não há decisão até o momento.
OUTRO LADO
Em nota, a Academia Hardcore afirmou que o encerramento das atividades ocorreu devido a dificuldades financeiras enfrentadas nos últimos meses, que inviabilizaram a continuidade do negócio. Segundo a empresa, a abertura de uma academia “low cost” no mesmo bairro provocou uma queda de aproximadamente 80% no número de alunos, impactando diretamente a sustentabilidade da operação.
A academia também declarou que o proprietário chegou a aportar recursos próprios para manter o funcionamento, mas a situação se tornou insustentável. Informou ainda que, antes do fechamento, foram oferecidas alternativas aos clientes, como o trancamento de matrículas, a transferência de planos para terceiros e a possibilidade de continuidade dos treinos em outra academia.
Por fim, a empresa afirmou que não tem conhecimento sobre ações judiciais em andamento relacionadas ao caso e que permanece à disposição para esclarecimentos.


