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MAIO LARANJA

Crianças entre 8 e 12 anos estão entre as principais vítimas de abuso sexual, alertam delegados

Muvuca Popular

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Delegados da Polícia Civil de Mato Grosso acenderam um alerta sobre o perfil das vítimas de crimes sexuais investigados no Estado. Segundo as autoridades, crianças entre 8 e 12 anos aparecem com frequência entre os casos apurados pelas delegacias especializadas, principalmente meninas em situação de vulnerabilidade dentro do próprio ambiente familiar.

O tema foi abordado nesta segunda-feira (18), durante ações realizadas pela Polícia Civil em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. As declarações foram dadas pela delegada titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, Judá Maali, e pelo delegado Ramiro Queiroz, responsável pela Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Segundo o delegado Ramiro, grande parte dos crimes acontece longe dos olhos da sociedade e é praticada por pessoas próximas da vítima, como pais, padrastos, tios, avôs ou homens que convivem diariamente com a família. Ele destacou que os agressores, muitas vezes, mantêm aparência de “normalidade” perante a sociedade.

“O agressor não tem cara. Muitas vezes é um trabalhador, alguém visto como pessoa comum, mas que pratica o abuso dentro de casa, entre quatro paredes”, afirmou o delegado.

De acordo com as autoridades, o silêncio das vítimas ainda é um dos maiores desafios das investigações. Crianças nessa faixa etária geralmente têm dificuldade de compreender a violência sofrida, sentem medo, vergonha ou são manipuladas emocionalmente pelos abusadores.

O delegado Ramiro Queiroz explicou que muitos criminosos se aproveitam de momentos de fragilidade familiar para se aproximar das vítimas. “Às vezes a família está enfrentando problemas, doença, violência doméstica ou dificuldades emocionais, e esse agressor aproveita a distração para ganhar a confiança da criança e iniciar os abusos”, relatou.

A delegada Judá Maali ressaltou que os sinais de abuso nem sempre aparecem fisicamente e que a mudança de comportamento costuma ser o principal alerta. Segundo ela, crianças vítimas de violência sexual podem apresentar regressão infantil, voltar a urinar na cama, ficar agressivas, irritadas, excessivamente tímidas ou isoladas.

“Muitas pessoas esperam sinais físicos, mas as mudanças emocionais e comportamentais são extremamente importantes. A criança muda porque está sofrendo psicologicamente”, explicou.

As autoridades reforçaram que familiares, professores, vizinhos e pessoas próximas devem observar qualquer alteração brusca no comportamento infantil e denunciar suspeitas aos órgãos competentes. Conforme os delegados, muitos casos chegam às delegacias por meio de denúncias feitas por escolas, conselhos tutelares e parentes das vítimas.

Outro dado que chama atenção, segundo os investigadores, é que a maioria dos abusos ocorre dentro da própria residência da criança ou em ambientes considerados seguros pela família, dificultando ainda mais a identificação da violência

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